Banda larga pode virar serviço público no Brasil: qual a vantagem?

Confesso que fico cada vez mais abismado com as “boas idéias” oriundas das mentes dos parlamentares, dos órgãos reguladores e similares em nosso país. A ABNT acaba de dar seu OK à presença de DRM nos equipamentos conversores da tão falada TV digital. Temos também à solta aquele dinossauro projeto de lei criado e defendido ferrenhamente pelo Senador Azeredo.

Agora, a nova “boa idéia” vem do conselho da Anatel: simplesmente estão avaliando a possibilidade de tornar o serviço de internet banda larga no Brasil, hoje um serviço prestado por empresas privadas, em um “serviço público“. Sim, isso mesmo: um serviço público.

Alguns comentários

Todas as belas palavras ditas e boas intenções que, quem sabe, talvez estejam por trás desta “possibilidade”, caem por terra quando nos lembramos de quão ineficientes, falhos e porcos “mal prestados” são, senão a maioria, pelo menos grande parte dos serviços “públicos” em nosso país. Basta lançarmos um olhar nem tão atento para setores como, por exemplo, educação, saúde, segurança pública, etc.

Problemas e mais problemas

Agora, querem tornar um serviço hoje prestado (e na maioria das vezes mal prestado) por empresas privadas em algo administrado e “oferecido” à população pelo estado. O grande problema é que estamos aqui falando de um estado que administra mal todo o dinheiro arrecadado através de impostos, por exemplo, de forma burocrática e gulosa, e quase nada devolve na forma de benefícios ao contribuinte.

Já deixei bem claro que não sou um dos defensores da Telefônica, mas alguém ainda se lembra de quão terrível e angustiante era a compra de uma linha telefônica antes da privatização da telefonia? Alguém se lembra de como funcionava o “plano de expansão”? Dos anos que esperávamos por uma linha telefônica e dos custos envolvidos em tal compra?

Não estou aqui dizendo que vai acontecer a mesma coisa com o serviço de internet banda larga, caso este se torne público, mas que se trata de algo perigoso, é inegável. Perigoso pois pode ser estabelecido um monopólio pelo estado, este mesmo estado que pode vir um dia a “vigiar todos os nossos passos na grande rede“. Isto sem falar nos quesitos infra-estrutura, conhecimento, pessoal qualificado, etc, etc: a lista aqui é enorme.

Inclusão digital?

Inclusão digital? Claro, como bem disse o presidente do Conselho Consultivo da Anatel, “qualquer garoto de 17 anos quer ter computador em casa ligado à internet“. Mas, ressalto: transformar determinado serviço, hoje precariamente prestado por algumas empresas privadas, em algo “público”, quando todos conhecemos bem todos os  problemas intrínsecos  a qualquer serviço público no Brasil, não é o caminho para aumentar a qualidade e/ou a disponibilidade de tal serviço. E, convenhamos: nem só de internet vive um garoto de 17 anos, não é? :)

Fonte: IDG Now

Da série banda larga não tão larga

Que não se pode esperar lá muita coisa do serviço prestado ou até mesmo do suporte técnico oferecido pela Telefônica, todo nós já sabemos. Entretanto, uma das coisas que mais irritam, pelo menos a mim, é saber que muitas vezes “não temos pra onde correr”. Por exemplo, serviços similares de outras empresas ou não estão disponíveis em minha região ou possuem tantos problemas, dificuldades e/ou limitações que, simplesmente, apesar de parecer impossível, nestes momentos chego a achar que o Speedy da Telecômicafônica é a melhor banda larga do mundo.

Bom, acho que estou meio irritado com os serviços prestados por tal empresa, mesmo. Nos últimos dias passei por tantos problemas com o Speedy que houve momentos em que quase “arranquei os cabelos”. É uma estória cômica e ao mesmo tempo triste. :(

Problemas relacionados a dificuldades na conexão já são conhecidos de todos, e acho que todo usuário de Speedy passa por pelo menos um problema similar por mês. O ideal seria a existência de um “programa” mediante o qual pudéssemos obter descontos ref. o número de dias sem conexão, aliás. Mas é claro que isto jamais acontecerá, pois o prejuízo para a Telefônica seria enorme.

O que mais me irrita, entretanto, é o suporte técnico oferecido, que na maioria das vezes é ineficiente, adora “passar a bola adiante” e conta com atendentes que não possuem o preparo suficiente. Veja bem, sei que na maioria das vezes a culpa é da empresa, que não treina seus funcionários adequadamente, não os suprindo nem com os conhecimentos básicos a respeito do produto com o qual trabalham e/ou a respeito das tecnologias envolvidas. Coitados destes “técnicos”.

Problemas e mais problemas


Creative Commons License photo credit: osde8info

Ocorre que durante esta semana estou enfrentando problemas com o Speedy em minha residência e em minha empresa. Problemas estes que, ou me fazem ficar totalmente sem acesso à internet em alguns momentos ou então impedem o meu acesso a determinados sites.

A coisa é mais cômica (e trágica) ainda em relação a este último problema, devido ao qual não consigo acessar alguns websites (fundamentais para mim) a partir de minha conexão. Após os testes necessários e a obtenção da confirmação por escrito de que a torcida do Corinthians inteira consegue acessar tais sites, resolvi entrar em contato mais uma vez com o suporte técnico, e o diálogo foi mais ou menos assim:

Atendente: – Suporte Técnico Speedy, bom dia. Em que posso ajudá-lo?

Eu: – Bom dia. Gostaria de falar com seu departamento técnico a respeito de um problema em minha conexão, devido ao qual não consigo obter acesso a alguns sites.

Atendente: – Sim, pois não senhor.

OBS: aqui ela confirma meu RG, CPF, cor da cueca, nome completo de avós e bisavós e mais alguns outros dados, e me pede para aguardar.

Após alguns minutos de espera, eis o diálogo seguinte:

Atendente: – Certo, pois não senhor. Em que posso ajudá-lo?

Eu: – Bom, como já te disse, não consigo acessar alguns websites e já obtive a confirmação de que o problema é em minha conexão Speedy. Diversas pessoas que conheço, através de diferentes tipos de conexão à internet, acessam normalmente tais sites, e inclusive, o trace route que executei mostra um problema em um dos equipamentos da Telefônica, na rota a partir da minha máquina para o tal site.

Consigo acessar tais sites normalmente, também, através de serviços de proxy como o VTunnel, por exemplo.

Atendente: – Perdão, senhor, “trace” o que?

Eu (após um minuto de silêncio e já irritado): – Bom, seria possível conversar com o seu departamento de suporte avançado?

Atendente: – Claro senhor. Aguarde um minuto por gentileza.

Atendente (retornando): – Senhor, nosso departamento de suporte avançado está congestionado. Irei abrir um chamado para que “possam estar entrando” em contato com o senhor. Aguarde um minuto que já lhe informarei o número do protocolo.

Bom, é claro que fiquei sem o número do tal protocolo, pois a ligação caiu logo em seguida, como de praxe. A não ser, é claro, que o tal protocolo estivesse contido em alguma mensagem subliminar existente naquele “sinal de ocupado”. :(

E este episódio aconteceu após algumas “tentativas” de atendimento anteriores, onde mesmo com o tal protocolo em mãos e a promessa de que alguém iria me retornar a ligação, nada aconteceu. Já fiquei esperando pela visita de um técnico, também, e nada deste tal técnico aparecer.

O que me resta (e acredito que a qualquer outro usuário de tal serviço) é contar com a sorte, e “rezar” para que tudo continue funcionando como agora está, após fantástica intervenção divina (só pode) que me concedeu novamente acesso aos tais sites antes inacessíveis, e fez com que a conexão à internet em minha casa voltasse a funcionar. :)

OBS: a idéia para o título deste artigo veio através de um comentário do Evandro, no artigo anterior sobre assunto semelhante a este. :)

A telefônica está cobrando frete por sua banda larga

Acabei de receber uma carta “muito legal” da Telefônica, avisando-me de que ou aceito pagar “irrisórios” R$ 8,70 mensais para poder ter acesso àquele mesmo serviço de acesso à internet que já possuo há anos em minha residência, pelo qual pago mais de R$ 110,00 mensais por meros 2Mbps (velocidade esta que muito dificilmente é atingida), ou volto a assinar um serviço totalmente desnecessário e caro, pelo que me proporciona, em um de seus diversos provedores “parceiros”. Ou seja, ou aceito uma destas duas opções ou fico sem acesso, mesmo pagando pontualmente minha mensalidade do Speedy. Engraçado, não?

Claro que todos já sabíamos que isto poderia vir um dia a ocorrer, mas eu pelo menos (ok, meio inocentemente, até) cheguei a acreditar que a Telefônica não iria nos enfiar goela abaixo esta taxa que é totalmente desnecessária e incoerente. Ou será que alguém consegue pensar em algum motivo “justo” para tal cobrança além do aumento no faturamento que ela certamente representará à empresa espanhola?

Ok, quando a tal decisão judicial não definitiva, liminar, ou o que quer que seja, impediu a ocorrência da palhaçada venda casada praticada pela dona do Speedy juntamente com os provedores de acesso, todos os usuários foram avisados de que esta taxa poderia vir um dia a ser cobrada. Mas eu fico aqui me perguntando: a justificativa de cobrar por “login de acesso” é lógica?

O serviço já não está sendo prestado e a Telefônica já não nos cobra um valor mais do que justo por tal em nossas contas telefônicas? O usuário que paga mensalmente por um serviço muitas vezes sofrível, que recebe em troca um suporte técnico quase sempre ridículo e que só sabe condenar nossas placas de rede ou então sugerir que “limpemos o cache e os cookies do Internet Explorer”, tem realmente de arcar com mais este gasto? O valor é baixo, é claro, mas nem por isso a cobrança desta taxa deixa de ser revoltante.

Será que o login é um serviço à parte? Epa, que confusão, né? Temos agora que pagar “frete” pelo acesso à internet? O engraçado é ter total certeza de que se não aceitar pagar os R$ 8,70 mensais, nem tampouco assinar com algum provedor, a Telefônica vai continuar me cobrando a mensalidade pelo serviço de internet banda larga indefinidamente, e eu vou ficar sem acesso algum. Isto, é claro, até que eu resolva cancelar meu contrato.

Era necessária mesmo a cobrança desta taxa, de baixo valor quando observada isoladamente, mas que pode formar um montante absurdo, se considerarmos a base de usuários do Speedy, que atinge a casa dos milhões? E como se não bastasse, o que acabamos vendo é que muitas vezes um certo monopólio acaba por se formar em diversos setores, prejudicando usuários que, infelizmente, ou aceitam o pouco que lhes é “oferecido” ou simplesmente ficam sem segundas opções.

É claro que existem outros prestadores de serviços do tipo, mas quando ouvimos falar em coisas como “traffic shaping“, por exemplo, somos obrigados a, muitas vezes, escolher o serviço menos pior. Pelo menos meu Speedy ainda não me impõe nenhum limite do tipo, e infelizmente tive de concordar com a cobrança da tal taxa, por “livre e espontânea pressão”, como dizem por aí. :(

Artigo do Open2Tech publicado na associação ABUSAR

Recebi esses dias um e-mail do Horácio Belfort, editor do site da ABUSAR (Associação Brasileira dos Usuários de Acesso Rápido), solicitando permissão para publicar no site da associação um dos artigos que escrevi para este blog, mais especificamente o artigo “OpenDns – DNS aberto“. Não preciso nem dizer que fiquei super feliz e lisonjeado ao mesmo tempo, não é? :)

A ABUSAR é, segundo consta no próprio site da associação, “uma entidade civil sem fins lucrativos que surgiu em 1º de Junho de 2001, que busca a melhoria da qualidade dos serviços de acesso à internet por banda larga (conexões de alta velocidade).”

A ABUSAR apóia publicamente diversas causas no tocante à utilização da internet, armazenamento e utililização de dados pessoais, privacidade e comunicação eletrônica, e também publica freqüentemente notícias e dicas relacionadas, o que faz com que seja muito interessante visitar-se freqüentemente o portal. Informação de excelente qualidade é o que não falta por lá. :)

Agradeço sinceramente ao Horácio e ao pessoal da ABUSAR pelo interesse em meu artigo, e também pela oportunidade de ver meu trabalho inserido em um portal de tal magnitude. :)

Abaixo você pode conferir o link direto para o artigo no site da ABUSAR. Assim que for criada a seção a respeito de DNS, segundo o Horácio, será também criada uma “chamada” para o artigo na página inicial. Bom, aí vai o link:

http://www.abusar.org/opendns.html

Obrigado mais uma vez ao pessoal da ABUSAR! :)

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