Parece que a adoção de software livre pelo governo brasileiro (ou pelo menos por alguns setores do mesmo) caminha a passos largos. Há alguns dias atrás postei um artigo a respeito da preferência que o SERPRO dará ao software livre, e agora é fato comprovado que as urnas eletrônicas brasileiras utilizarão Linux já a partir das eleições de 2008, em substituição aos sistemas operacionais proprietários utilizados até então.
Ao que parece será utilizada uma distribuição Linux adaptada pelo próprio TSE, e isto dará muito mais liberdade e credibilidade ao processo todo, pois a utilização de software livre e a liberdade total proporcionada por tal opção, bem como a total eliminação de todas (ou quase todas) e quaisquer limitações ou obrigações impostas por contratos e licenças de software proprietário combina muito mais com democracia, não é?
Felizmente, cada vez mais o software livre é encarado não apenas como “software grátis”, mas principalmente como a opção principal e mais viável quando o que se deseja é redução de custos, liberdade, customização e qualidade (isto sem citar inúmeros outros fatores tão ou mais importantes).
Software livre também é uma questão de escolha. Que bom que agora também podemos contar com “urnas livres”.
Fonte: BR-Linux
Mas pelos dados obtidos dá pra se notar algumas coisas bem interessantes:

Ok, o navegador da Mozilla e o da Microsoft são os preferidos entre o pessoal (que versão do IE será que eles usam? Isto não foi mencionado). E, segundo os dados acima, dos usuários que preferem o Firefox, 65% usam também o IE (sabe-se lá por que motivo), e daqueles que preferem o IE, 31% usam também o Firefox.
Somos levados a crer que algum motivo força um ou outro usuário a adotar o outro navegador, em algum momento. Quais seriam estes motivos? Sabe-se que a quantidade de sites desenvolvidos “pensando exclusivamente no IE” ainda é grande, e isto talvez explique o porquê de 65% dos entrevistados que preferem o Firefox usarem também o IE, em algum momento. Agora, o fato destes 31% que usam o IE também utilizarem o Firefox em algum momento é bem interessante, não?
A pesquisa também cita que 33% dos que preferem o Firefox citaram a navegação por abas como uma das razões de sua preferência pelo navegador da Mozilla. Mais um ponto para o Firefox, creio eu, pois o IE em sua versão 7 também possui navegação por abas, e nem este fato fez com que estes usuários optassem pelo navegador da Microsoft. Escolha consciente, nada mal!
Bom, o que tudo isto nos leva a pensar? Não sei quais os critérios utilizados na pesquisa, nem sua precisão e nem se ela pode ser considerada totalmente válida (mesmo porque, foi realizada apenas nos Estados Unidos). Mas o fato é que a própria Mozilla citou a mesma, e deve ter lá suas razões para tanto. E podemos ao menos tentar imaginar se um resultado parecido poderia ser obtido em uma pesquisa mais abrangente, realizada em vários países, por exemplo. O que acham?
Levando-se em conta que tal resultado foi obtido nos Estados Unidos, onde o acesso à tecnologia é mais fácil e barato, e onde a informação consegue chegar em mais lares do que países como o Brasil, por exemplo, podemos ter pelo menos a esperança de que uma mudança está ocorrendo nos hábitos dos usuários (com consciência, o que é mais importante), e podemos também, creio eu, esperar por resultados cada vez melhores em tais pesquisas (e, lembremos, a versão 3 do Firefox vem aí
)
Algo que me decepcionou em tal pesquisa foi o resultado obtido pelo Opera, um navegador também fora de série e superior, sem sombra de dúvidas, ao IE: apenas 1%. Aliás, o Opera sempre obteve baixíssima taxa de adoção, apesar de seus excelentes recursos nativos, leveza e velocidade. Existem alguns motivos que talvez expliquem este fato, mas isto é assunto para um outro post.
Mas é isso aí. Vida longa à rapozinha!
Fonte: Mozilla Links
Acabei optando por uma outra solução, que apesar de não ser opensource é totalmente gratuita: o SMF, ou Simple Machines Forum, um sistema, pelo menos na época em que fiz a opção, muito mais robusto, flexível e que possui por padrão inúmeras funções que no phpBB, pelo menos em suas versões anteriores, dependiam da instalação de Mods.
Aliás, instalar um MOD no phpBB sempre foi uma tarefa hercúlea. Não sei se isto foi modificado agora com o lançamento da versão 3 (espero que sim), pois a instalação de um MOD no phpBB era algo super complicado e chato de se fazer. Resumindo: era necessário seguir uma lista de alterações a serem feitas no código e, manualmente, abrir arquivo por arquivo, localizar os trechos de código solicitados e alterar-se os mesmos, segundo o “manual”.
Muito diferente da instalação de um MOD no SMF ou no CMS Xoops (do qual ainda pretendo falar por aqui, pois trata-se de um ótimo CMS), por exemplo: simplesmente se efetua o upload da pasta do módulo para o local informado nas instruções e em seguida basta acessar a área de administração do script e “mandar” o mesmo instalar o módulo. Simples, rápido e “indolor”.
Bom, voltando a falar do phpBB, espero mesmo que o script tenha melhorado bastante agora em sua versão 3, pois já foi um dos maiores e mais utilizados sistemas de fóruns do mundo (exagerei um pouquinho aqui, ou não?
). E, além disso, já teve sua época áurea, também, com inúmeras comunidades de suporte ativas e prestando um excelente trabalho voluntário.
Desejo sucesso ao pessoal do phpBB, e que eles realmente possam continuar possibilitando a criação de comunidades.
Fonte: BR-Linux.org
Informações adicionais
Site oficial do phpBB:
Link para download da versão 3 Olympus:
Site oficial do SMF:
http://www.simplemachines.org/
Link para download da última versão do SMF (1.1.4):
Esta é uma notícia que tem circulado há alguns dias por sites muito bem conceituados e respeitados, como por exemplo o BR-Linux, o SoftwareLivre.org, o BrOffice.org e o “Movimento Software Livre Paraná“. Ou seja, a notícia é “quente” e muita coisa boa vem por aí, podem acreditar. Podemos perceber que cada vez mais o software livre quebra paradigmas e rompe com aquele velho e ultrapassado conceito (ou preconceito) que diz que “o que é gratuito não presta”. Além do mais, não se trata só de gratuidade, mas também de colaboratividade e liberdade, dois conceitos que permeiam todo o mundo do software livre e que agora estão sendo adotados e “entendidos” por alguns setores do governo brasileiro, com muita razão, aliás.
Segundo as palavras do coordenador de software livre do SERPRO, Deivi Kuhn, a utilização de software proprietário se dará somente quando for impossível a utilização de software livre:
“A partir de agora, a orientação para o software livre fica fortalecida, principalmente no que compete ao desenvolvimento de soluções. Antes, o desenvolvimento usava o software livre sempre que possível, agora usamos software proprietário apenas quando outra solução for impossível. O software livre terá prioridade absoluta”
Tais palavras, vindas de tal pessoa, soam muito promissoras e nos fazem acreditar ainda mais que o software livre tem vida longa, e que o Brasil está no rumo certo, pelo menos no que diz respeito a este quesito. O SERPRO parece também estar se dedicando a um certo posicionamento dentro da comunidade de software livre, pois passa também a partir de agora a colaborar e participar de encontros da comunidade de software livre.
É claro que não cabe, aqui e agora, analisarmos o sucesso ou não do programa “Computador para todos“, do governo federal, e o fato de que a maior parte das distribuições Linux pré-instaladas em tais máquinas serem substituídas por soluções “alternativas” do Windows. Isto é um fato provocado por uma série de outros fatores que com certeza merecem um outro post. Mas o fato da SERPRO fazer parte do projeto “Computador para todos” desde o seu início e agora “passar para o lado” do software livre, nos faz pensar que, talvez, o projeto acima citado ainda tenha chances de melhorar seu desempenho, e a taxa de substituição dos sistemas operacionais livres por sistemas operacionais “pirateados” talvez caia. Quem sabe a SERPRO não dá uma “mãozinha” neste sentido, uma vez que aparentemente agora está investindo pesado em treinamento. Quem sabe todo o know-how obtido não possa ser usado na capacitação daqueles setores e empresas que trabalham diretamente com o programa “Computador para Todos”, e assim, este projeto funcione realmente para diminuir a inclusão digital, e o que é melhor, diminuí-la usando software livre.
Parece, pelas palavras do Sr. Kuhn, que finalmente alguém resolveu entender que software livre não é só “deixar de pagar licença”. Que software livre é evolução na maneira de pensar, no modo de tratar aquilo que se produz e na maneira em como isto será disponibilizado à comunidade. Parece que, finalmente, o software livre deixa de sofrer com os estigmas que o prejudicaram e o afastaram por tanto tempo das massas e do “alto escalão” (dois extremos, não?): o desconhecimento, a incerteza e o medo.
Cada uma destas três palavras enquanto “conceito” (desconhecimento, incerteza e medo) provocam desastres em qualquer âmbito, onde quer que estejam presentes, e são interligadas. O desconhecimento leva à incerteza se o software livre é realmente um bom negócio ou não, e o medo é o resultado final desta tríade nefasta, afastando pessoas, empresas e governos. Isto, aliado às pressões “bem de leve” mas eficazes que empresas desenvolvedoras de software proprietário sempre exercem, seja na forma de propaganda ou na forma de propagação de inverdades, contra a utilização e propagação de algo que fere seus bolsos, acabou por literalmente matar, muitas vezes, qualquer tentativa de abandonar o “velho” e optar pelo “novo”.
Acredito que agora, com a atitude tomada pelo SERPRO, e também com a atitude tomada por outros setores do nosso governo e também de tantos outros por aí, a coisa comece a mudar. Talvez dentro de algum tempo o software livre não seja mais visto como “coisa de nerd”, ou pior, como “produto vagabundo”, e passe a ocupar seu lugar de direito no “panteão” das coisas que têm algo a oferecer em prol do desenvolvimento social e tecnológico.
Dá pra notarmos algo bem sutil ao navegarmos pelo site do SERPRO: o link “Downloads” contém uma lista bem interessante, e podemos ver ali itens como Firefox, BROffice e Fedora, dentre outros. Ou seja: somente softwares de código aberto. Muito legal, não?
Além disso, no mesmo site, existe um grupo de menus chamado “Tecnologia”, e dentro deste podemos ver uma opção chamada “Software Livre“, onde o SERPRO fala um pouco mais a respeito do software livre em si. Detalhe, não há menção, em parte alguma do site (pelo menos não encontrei), a qualquer tipo de software proprietário.
Não sei até que ponto este posicionamento do SERPRO irá afetar ou não a forma de distribuição e licenciamento dos softwares desenvolvidos pelo mesmo (todos “gratuitos”, diga-se de passagem, e dirigidos a um nicho específico, na maioria das ocasiões), como por exemplo os softwares utilizados para geração e entrega das Declarações de Imposto de Renda, dentre outros. Mas podemos esperar, acredito eu, por uma maior colaboratividade entre o SERPRO e diversas outras entidades, empresas e pessoas ligadas à comunidade do software livre (o próprio SERPRO já afirmou que deseja isso, aliás), levando assim a um fortalecimento tanto da comunidade em si quanto da própria empresa. Ambos os lados passam a compartilhar informações, experiências, acertos e desacertos. Colaboratividade e compartilhamento de informações é a chave, e o próprio SERPRO parece ter entendido isto.
É interessante, também, observarmos tudo isto através de um outro prisma, e tentarmos enxergar que um dos pontos interessantes disto tudo é que a redução de custos é algo que provoca diversas reações em cadeia, reações estas que podem se reverter em menos gastos em diversos âmbitos, para todos. E isto, em se tratando de projetos voltados à inclusão digital, por exemplo, é algo crucial e que acaba se revertendo em benefícios para muita gente: integradores, desenvolvedores e o usuário final. E se cada vez mais governos e empresas estão aceitando este fato, é sinal de que a “coisa é séria” e veio para ficar, e não é apenas uma moda passageira, como alguns poucos (ainda bem) querem fazer parecer.
Acredito sinceramente que um futuro promissor está se aproximando, e que não só o SERPRO, mas diversas outras empresas, governamentais ou não, acabarão por entender que o software livre é a melhor e mais justa opção, se quisermos um mundo onde a informação será um bem comum a todos, e não refém de algumas minorias que a controlarão em nome de seus interesses próprios e escusos.
Meus parabéns ao SERPRO!
Fonte: Movimento Software Livre Paraná
Informações adicionais
Site oficial do SERPRO:
Bom, após tantas “tentativas de conversão”
(mas acreditem, o assunto ainda tem muito a ser discutido, e tenho mais algumas idéias em mente para outros posts), acredito que seria legal um post contendo o “básico do básico”:
Como converter arquivos de texto, planilhas e apresentações em formatos proprietários (respectivamente docs’s, xls’s e ppt’s) para ODF (respectivamente odt’s, ods’s e odp’s), através do OpenOffice
A coisa toda é bem simples. Primeiramente, se ainda não o fez, baixe o OpenOffice/BrOffice e instale o mesmo. Com o OpenOffice instalado, acesse o menu “Arquivo ==> Assistentes ==> Conversor de documentos” (o caminho e as telas são os mesmos em qualquer aplicativo da suíte). Será então apresentada a tela abaixo:

Basta, então, escolher a opção “Microsoft Office” e selecionar os tipos de arquivo que deseja converter, clicando então no botão “Próximo”. Na próxima tela, você irá escolher os documentos que deseja converter (modelos e/ou documentos), bem como o diretório onde os arquivos originais se encontram (importar de) e o diretório destino (salvar em).
Feito isto, o OpenOffice exibirá uma tela contendo um resumo do que será feito, bastando então clicar no botão “converter”. O processo de conversão poderá demorar um pouco, dependendo da quantidade de documentos a ser convertida, e no final, a tela abaixo será exibida, mostrando a quantidade de arquivos convertidos, sendo possível inclusive a geração de um arquivo de log detalhado:

Pronto, todos os seus documentos foram convertidos para o padrão ODF, ocupando menos espaço em disco, e não te prendendo mais a nenhum tipo de licença de uso ou softwares proprietários.
OBS: vale ressaltar que o conversor não efetuará modificação alguma na sua pasta “origem” (importar de). Então, pode efetuar a conversão tranqüilamente.
Informações adicionais:
Link para download do OpenOffice em português: