Category Archives: Linux

Inaugurado maior super computador do mundo

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Foi inaugurada em 05 de março de 2008 a máquina que já é considerada o maior super computador do mundo, com 504 TFlops e utilizando tecnologia aberta da Sun Microsystems.

Vale ressaltar que FLOP é uma sigla que significa, em inglês, Floating point Operations Per Second, ou “operações de ponto flutuante por segundo”, conceito muito utilizado em computação quando se quer determinar ou demonstrar a capacidade e/ou a performance de um computador, principalmente na área de cálculos científicos.

O computador está instalado no TACC (Texas Advanced Computer Center), e vale notar que quando dizemos que a capacidade do Ranger (nome do super computador em questão) é de 504 TFlops, ou TeraFlops, isto significa que ele é capaz de realizar 504 trilhões de operações numéricas por segundo! :) O Ranger utiliza totalmente tecnologia aberta da Sun Microsystems, e é resultado de uma parceria entre as seguintes instituições

Ainda segundo o TACC, o Ranger irá possibilitar a realização de mais de 200.000 (duzentos mil) anos de trabalho computacional, durante os quatro anos de vida útil previstos para o equipamento. É citado também pelo TACC o fato de que o Ranger “pode ser até 50.000 (cinquenta mil) vezes mais poderoso do que os atuais PC’s“.

Aparentemente (aliás, como não poderia deixar de ser), o Ranger será utilizado principalmente com finalidades científicas, e é interessante citarmos as palavras do diretor do TACC, Jay Boisseau:

Ranger provides incredible new capabilities for computational researchers across the nation and world. Its computational power, memory and storage capacity greatly exceed anything the open science community has had access to.

Traduzindo:

O Ranger fornece incríveis novas capacidades para investigadores computacionais em toda a nação e no mundo. Seu poder computacional, memória e capacidade de armazenamento excedem grandemente tudo a que a comunidade científica aberta tem obtido acesso até hoje.

Como podemos perceber, a coisa toda é “grande”, muito grande mesmo. O Ranger foi concebido através do ambiente “Sun Constellation System“, da Sun, desenvolvido especificamente para computação de alta performance, que combina um sistema de “computação de alta performance ultra-denso, envolvendo também altos desempenhos no tocante a redes, armazenamento e software.”

Como em um assunto que envolve equipamentos e tecnologias de tal magnitude é muito difícil limitar-se as “citações numéricas” e relativas a equipamentos, segue abaixo algumas “partes” do Ranger:

  • 3.936 unidades computacionais em um sistema modular Sun Blade™ 6048.

  • 15.744 processadores Quad-Core AMD Opteron™.

  • Diversos servidores Sun Fire™ x4500, fornecendo um total de 1.7 petabytes de armazenamento.

O equipamento ocupa ao redor de 600 metros quadrados no datacenter, e o sistema de arquivos utilizados é o Lustre cluster file system, disponibilizado sob a licença GPL. Mais uma vez, vemos o software livre presente em grandes projetos e, como sempre, “fazendo bonito”. :)

Neste quesito, onde outras soluções talvez (ou com certeza) falhariam, o software livre cumpre com seu papel perfeitamente bem, mesmo quando levado a extremos como o caso do super computador acima citado. Mais uma vez, o mundo toma conhecimento de um caso de sucesso envolvendo software e tecnologia abertos.

Resta-nos esperar que o Ranger, com todo este poder, seja realmente utilizado para os fins aos quais inicialmente é destinado, e que a comunidade científica mundial como um todo possa obter inúmeros benefícios de tal ferramenta absurdamente poderosa e, porque não, empolgante ao extremo. :)

Fonte: TAI – Tecnologia Aberta da Informação

Informações adicionais

Página no site do Texas Advanced Computing Center, com mais informações sobre o Ranger (em inglês):

http://www.tacc.utexas.edu/ta/ta_display.php?ta_id=100379

Banco do Brasil pede conhecimentos em software livre em recente concurso

Esta é mais uma ótima notícia envolvendo o software livre e uma instituição de “peso”. O Banco do Brasil, em recente concurso para o preenchimento de vagas para o cargo de escriturário em agências da instituição no Distrito Federal, através do Edital nº 1 – 2008/001 – BB, de 11 de março de 2008, pede que o candidato possua conhecimentos em ferramentas e sistemas operacionais proprietários, mas também no Linux e em algumas ferramentas opensource. :)

São solicitados, por exemplo, conhecimentos em Linux e em diversas soluções livres, como por exemplo o BrOffice.org Writer (processador de textos), BrOffice.org Calc (planilha eletrônica) e BrOffice.org Impress (editor de apresentações), todas aplicações integrantes da excelente suíte para escritórios OpenOffice.org / BrOffice.org.

É claro que também são citadas soluções proprietárias, mas o simples fato de diversas soluções livres serem citadas, e ser requisitado conhecimento nas mesmas em um edital para concurso para ingresso em uma instituição do porte do Banco do Brasil, é motivo de grande alegria e empolgação para todos os adeptos/simpatizantes do software livre. E, além disso, o edital também solicita conhecimentos no navegador livre Firefox, e demonstra um certo avanço no tocante à “modernidade” e novas tendências e ferramentas, pois cita também a necessidade de conhecimentos relativos à utilização de sistemas e conceitos tais como grupos de discussão, fóruns e wikis.

Esta notícia só vem confirmar, mais uma vez, que o software livre deixa, aos poucos, de ser considerado um “bicho de sete cabeças”, e está cada vez mais presente nas mentes e nos computadores de cada vez mais pessoas, desde o usuário doméstico que utiliza sua máquina apenas para navegar na internet e jogar suas partidas de Counter Strike jogos online, até grandes corporações e órgãos governamentais. É uma caminhada sem volta, e todos nós só temos a ganhar. Pena que alguns ainda vejam tais iniciativas com maus olhos, talvez “conduzidos” por pesquisas, notícias e boatos promovidos por aqueles que têm grande interesse em reduzir o impacto e a adoção do software livre, quase sempre motivados por intere$$es os mais diversos.

Mas uma boa notícia deve ser comemorada, e esta é das boas. Parabéns ao Banco do Brasil! :)

Fonte: NotíciasLinux

Informações adicionais

Maiores informações no CespUnB:

http://www.cespe.unb.br/concursos/BB12008

Faça o download do edital, em formato PDF

O Opensource é o melhor caminho

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Ultimamente o mundo do opensource e do software livre tem obtido um grande destaque, tanto nas mídias especializadas quanto nas não especializadas. Jornais, revistas, blogs dos mais diversos segmentos e portais têm comentado bastante a respeito, negativa e positivamente. E até mesmo grandes empresas e organizações governamentais têm se pronunciado positivamente a favor do software livre/opensource, muitas delas inclusive passando a adotar soluções e formatos abertos em detrimento dos “nefastos” proprietários. Quando digo isto, não quero dizer que o software proprietário e/ou a empresa desenvolvedora em si são malignos: longe disso. Acredito que todos podem (e devem) ganhar dinheiro, afinal, vivemos em uma sociedade capitalista que visa, infelizmente, o lucro acima de qualquer coisa. A “malignidade” aqui está presente na escravidão que as soluções e formatos fechados impõem à aqueles que por eles “optam”. Está presente na forma como as soluções são “vendidas”, na propaganda que expõe tais produtos como os únicos dignos de nota e no fato de que você não é dono daquilo que produz, caso utilize um software proprietário. Basta nos lembrarmos de que recentemente foi anunciado que o Office 2003, após o Service Pack 3, não abrirá mais alguns documentos .xls, .doc, etc, antigos.

Mas, um minuto: o conteúdo do documento não era do usuário? Os textos que ele produziu, as planilhas que criou, as apresentações que desenvolveu para aquela tal reunião importante, tudo isto não era dele? Infelizmente, neste caso, não. E, venhamos e convenhamos: mesmo que a Microsoft alegue que o tal bloqueio (ou falta de compatibilidade entre versões diferentes de arquivos gerados por seus próprios softwares) foi implantado devido a brechas de segurança nas versões antigas dos formatos, se eu pago por um aplicativo, é de se supor que tudo o que eu produzir através dele é meu, e nada justifica um impedimento deste tipo. E, aliás, o mínimo que eu espero é poder acessá-lo mesmo se decidir não atualizar minha solução, ou também se decidir não comprar uma futura nova versão do tal aplicativo. Teríamos aqui mais uma tentativa de forçar a venda de novas versões de um produto, ou estou enganado? Se eu quero trabalhar com arquivos cujo formato está desatualizado e com brechas de segurança, o problema é meu. Da mesma forma, se utilizo windows, por exemplo, e quero trabalhar sem utilizar um anti-vírus de qualidade ou até mesmo um firewall, o problema também é meu. Afinal, é meu dinheiro e minhas informações que estão em jogo, e não existem motivos plausíveis para o desenvolvedor do aplicativo ou sistema operacional achar que tem direitos sobre minha produção ou sobre minha forma de trabalho. Mas isto não ocorre com as soluções fechadas, infelizmente. Nestas, o usuário não passa de um sócio do desenvolvedor, e se este último, de uma hora para outra e sem avisar ao usuário, lançar um update automático com uma alteração destas, o usuário, literalmente, está com um sério problema. Ou seja, resumindo: nenhum software proprietário dá a merecida liberdade que o usuário precisa.

Opensource também é um negócio

Tentando amenizar um pouco o tom das palavras acima, é interessante também lembrarmos de que existem diversas maneiras de se ganhar dinheiro com software opensource/livre, e elas vão desde a prestação de serviços de suporte técnico, acompanhamento ao cliente e modificações, até o desenvolvimento e manutenção de soluções opensource comerciais, como muitas empresas por aí já aprenderam e têm obtido um grande sucesso. Red Hat e Novell que o digam, e até a gigante IBM tem dado passos importantes neste sentido. Da mesma maneira, uma coisa leva à outra. Uma empresa desenvolve um excelente aplicativo e o disponibiliza sob a licença GPL, por exemplo, e tem a certeza de que não vai ganhar nada pelo aplicativo em si. Mas isto gera uma grande gama de possíveis negócios, pois o tal aplicativo pode ajudar a promover o nome da empresa, ela pode prestar suporte técnico especializado ao mesmo (como a Canonical faz), etc. O que ocorre é que, infelizmente, até mesmo por desconhecimento, acaba-se tendo a impressão de que software livre e/ou opensource são produtos de baixo nível ou que não possuem um suporte adequado. O usuário pensa que se utilizar Linux em seu computador, e por consequência produtos livres, ficará “na mão” caso aconteça algum problema. Mas sempre se esquece de que a maioria das soluções opensource possuem enormes comunidades espalhadas pelo mundo inteiro, as quais prestam suporte gratuíto e de boa qualidade, bastando ao interessado ter um pouco de boa vontade e interesse. Infelizmente, as pessoas costumam olhar “torto” para qualquer alternativa que não seja “endossada” por uma organização como, por exemplo, a Microsoft, a Corel, a Adobe ou outras similares, e se esquecem de que a IBM, outra gigante, também tem seu lado “opensource”, e a SUN está prestes a comprar a MySQL, em uma transação que envolverá algo em torno de US$ 1 bilhão. Agora eu pergunto: opensource é uma “furada”? Será que a SUN, por exemplo, vai entrar em uma furada, ou realmente enxerga as coisas a longo prazo?

Se o opensource fosse um negócio “furado”, como apregoam alguns, a AOL, ao descontinuar o Netscape, não teria recomendado o Firefox. O governo do paraná não teria dado preferência ao ODF. O INSS não estaria exigindo conhecimentos em Linux em seu novo concurso público. A Bolsa de Nova Iorque não teria investido em servidores Linux. Os exemplos são inúmeros, e citei aqui quase que somente casos de órgãos governamentais. Que dizer então de bancos e outras instituições que também migraram ou estão migrando para o Linux? O Banco do Brasil é um exemplo dos mais expressivos, e mostra que o software livre/opensource é tanto um conceito libertário (bonito isso, não? :) ) quanto um fator decisivo quando se pensa em redução de custos e melhora na produtividade. Pode parecer exagero, mas o valor destinado à compra de licenças em grandes corporações (ou até mesmo para o usuário doméstico e pequenas empresas, que podem fazer diversas coisas com tal dinheiro :) ) pode ser utilizado com enorme folga no treinamento e na contratação de pessoal capacitado em soluções abertas (aliás, ainda bem que a compra de licenças desnecessárias do Office pela Receita Federal foi barrada :) ). O que sobra, então, vai da própria instituição dar um fim melhor a tal dinheiro ao invés de encher os cofres de uma empresa que irá amarrá-la indefinidamente a cláusulas e limitações totalmente sem sentido, e impedir que o acesso a seus documentos vitais seja realmente livre e desprovido de limitações e/ou imposições. Continuidade (já falei bastante disso, e nunca é demais lembrar) é algo importante dentro de qualquer instituição ou até mesmo para o usuário doméstico.

Continuidade e liberdade

Nada é mais frustrante (e perigoso) do que armazenar dados cruciais utilizando um formato fechado, e contar-se sempre com o medo de que, um dia ou outro, pode-se perder o acesso a tais dados. Sendo assim, o que ainda impede as pessoas e as empresas a optarem pela liberdade em vez da “prisão”? É claro, existem casos e casos, e infelizmente ainda existem situações onde não se pode substituir uma solução proprietária por outra livre. Acredito que uma das áreas que mais sofre com este tipo de problema é a de design gráfico, pois dificilmente se irá encontrar, pelo menos para o usuário avançado, ferramentas livres do mesmo nível de um Adobe Flash, por exemplo. Mas, de qualquer forma, dentro de algum tempo possivelmente existirão soluções similares (quero realmente acreditar nisso), e por enquanto, temos aí o excelente Gimp, que mesmo não sendo tão poderoso como o Flash neste quesito (aliás, seu propósito não é o desenvolvimento de animações), permite a criação de animações simples, com certas limitações, é claro. Agora, quando se fala em edição de imagens, o Gimp é “matador”. :) Já vi cada trabalho desenvolvido nele, que é de encher os olhos! E aqui entra novamente aquela velha estória que diz que o que vale é a criatividade, e não a ferramenta usada. Conheço gente que desenvolve excelentes websites, dentro de todos os padrões de usabilidade, etc e tal, usando simplesmente editores simples e “não visuais/WYSIWYG.

O que falta para o Opensource crescer ainda mais?

O que quero deixar bem claro neste artigo é que a adoção de soluções livres depende, na maioria dos casos, de dois fatores primordiais, dentre muitos outros: – Abandono de preconceitos: não adianta (e nem é lógico) deixar de tentar utilizar algo novo e livre somente porque “fulano” disse que não é bom. Vá e teste por si só. Se não gostar, tudo bem, pelo menos você tentou. Mas dê uma chance, e vai ver que “o diabo não é tão feio quanto parece”. :) A própria palavra preconceito já tem em si própria uma conotação negativa pois, resumindo, trata-se de um “conceito formado antes de se conhecer o objeto”. – Inércia: como já disse uma vez por aqui, tudo aquilo que é novo causa medo, e este medo faz com que o indivíduo prefira continuar utilizando o Photoshop “piratão” só para redimensionar suas fotos do que baixar o Gimp e fazer a mesma coisa, porém dentro da lei. Claro, existem muitos outros impedimentos por trás disso tudo, alguns simples de serem resolvidos, outros não. Mas se o primeiro passo não for dado, jamais se sairá do lugar. Ainda existe a questão da propaganda negativa que é feita pelas grandes empresas desenvolvedoras de software proprietário (alguém se lembra do tal do “get the facts”, com seus resultados verdadeiros mas feitos “sob medida” e em condições super propícias?), e o fato de que tais propagandas acabam sempre atingindo os usuários mais desavisados, criando então um círculo vicioso que acaba por relegar o que é bom ao limbo, indefinidamente.

Uma breve digressão

O lado negativo dos formatos fechados pode também ser visualizado em diversas vertentes, mesmo que indiretamente. O Jon “Maddog” Hall tem razão quando diz que o DRM (ou Digital Rights Management) não é legal (na verdade, ele diz que é demoníaco, mas eu não iria tão longe. :) ). Quer dizer, você compra e baixa uma música, mas só pode gravar “X” cd’s, ou só pode transportá-la “X” número de vezes para seu IPOD ou MP3 player. Que lógica existe nisso? Eu sou do tempo do vinil, da velha e boa “bolacha” (ainda possuo mais de 200 guardados com carinho), e naquela época comprava-se discos e gravava-se o mesmo nas velhas fitas K7 para se poder ouvir nos walkmans, etc. Podia-se também gravar as tais fitas para dar de presente para um amigo, ou até mesmo emprestar. E isto não era considerado pirataria. Agora, com o “advento” do DRM, não somos mais donos daquilo que compramos. É um empréstimo, somente. Se compro um álbum inteiro pela internet, com DRM, existem tantas limitações que me são enfiadas goela abaixo que chega a dar nojo. As gravadoras pararam no tempo, e não entendem que o formato de distribuição que ainda insistem em utilizar (cds, etc) é ultrapassado. Não entendem que é muito mais fácil e barato oferecer a compra via internet. Mais fácil e barato tanto para elas quanto para o usuário. O cara chega, escolhe a música que quer, paga e baixa. Mas sem DRM, pelo amor de Deus! Há pouco tempo atrás eu estava atrás de um álbum do Within Temptation e não encontrava o mesmo em lugar algum. Aí, encontrei o dito cujo em um grande portal brasileiro que vende músicas pela internet, por um precinho bem camarada. Mas desisti da compra quando me disseram que eu poderia somente gravar 2 ou 3 cd’s (não me lembro a quantidade exata, mas era algo em torno disso), e que eu só poderia transportar acho que 2 vezes para meu MP3 player. Me disseram até que se “quisesse mais que isso”, teria que pagar novamente pelo álbum. Ridículo, não? Mas a boa notícia é que o DRM está com os dias contados. A Amazon.com, por exemplo, já embarcou nessa viagem sem volta, e até a gigante Sony começou a vender músicas sem DRM. Ponto positivo para as duas. :)

Qual a saída?

Bom, voltando ao assunto principal do artigo, é interessante lembrarmos que, infelizmente, não há uma saída a curto prazo para essa presença “poderosa” das soluções e formatos proprietários. O “Janelas” já vem instalado no micro que é vendido no supermercado, e quando vem alguma distro Linux, o usuário chama algum técnico pra formatar a máquina e instalar o windows (piratão, é claro). “- Pagar por algo que não vejo?” Nem pensar, pensa esse usuário. Na mente desinformada do pessoal que acha que internet é o Internet Explorer, editor de textos é o Word e e-mail é o Outlook, só o hardware tem valor, o software é só um detalhe, e sendo assim, por que pagar por ele? Mas muitos se esquecem de que o software é a “engrenagem” que faz a máquina funcionar. Talvez se fossem oferecidas distribuições Linux mais amigáveis e mais bem configuradas nos micros vendidos nos mercados ou grandes lojas, a situação poderia mudar mais rapidamente. Talvez, se os atendentes das operadoras de telefonia conhecessem um pouco de Linux (aqui entra o interesse das empresas em oferecer tal treinamento) e soubessem dar um suporte adequado ao usuário que quer “configurar a internet no Ubuntu” ao invés de simplesmente sugerir que ele instale o windows, a situação também pudesse melhorar um pouco. Talvez, se nas poucas escolas públicas que possuem laboratórios de informática os sistemas operacionais utilizados fossem distros Linux, a situação mudaria mais rapidamente, pois o aluno já teria contato com outro tipo de solução desde cedo, e transporia esse aprendizado para sua casa, parentes e amigos, e a internet seria apenas a internet, o processador de textos seria apenas o processador de textos e o computador seria apenas um meio.

Mas isto é algo para ser realizado de médio a longo prazo, resta-nos saber se há boa vontade suficiente por aí para colocar tantas coisas (simples) em prática. Não há nada mais seguro e prático do que ser dono de sua própria produção. Saber que você gera documentos em um formato tal que pode ser aberto e editado por diversos aplicativos, em qualquer sistema operacional. Não há nada melhor do que utilizar soluções que não lhe imponham restrições. Isto é o que as soluções e formatos abertos nos proporcionam, e é algo vital no dia a dia de qualquer instituição. Alguns governos por aí (e muita gente também, acredite) já pensam assim: estarão eles errados? Creio que não. :) Resumindo tudo o que eu disse até aqui: o “mundo opensource”, o software livre, a liberdade de escolha, a posse total daquilo que é seu e que por você foi produzido, o uso de softwares livres e desprovidos de qualquer má intenção por parte do desenvolvedor, é o melhor caminho e a única alternativa realmente democrática, que permite que dados e documentações gerados hoje possam ser abertos, lidos e editados daqui a 10, 20, 30 anos. Falando agora a respeito de “segurança da informação” (um dos assuntos também tratados aqui no Open2Tech), este também é um fator que só pode ser totalmente comprovado quando se possui acesso ao código, algo possível somente quando falamos em software opensource. Quem nos garante que aquela tal solução fechada desenvolvida por aquela empresa “boazinha” é totalmente benigna, e não possui em seu código alguma instrução maliciosa que permita à empresa desenvolvedora obter dados sobre você, seus hábitos, sua empresa ou negócios? Parece meio exagerado, não é, e muitos podem argumentar que as soluções anti-malware hoje em dia estão muito mais desenvolvidas e brecariam tais tentativas. Mas os rootkits estão aí para nos lembrar de que nem sempre é assim, e além destes, é necessário lembrar que a criação de malwares é muito rápida, com variantes saindo a todo momento, e principalmente as soluções de segurança baseadas unicamente em assinatura não são muito eficientes na detecção deste tipo de ameaça. Os “zero-day attacks” são outra ameaça constante e perigosa, sempre à frente das soluções anti-vírus, e por mais que existam sistemas de heurística e tecnologias pró-ativas, o perigo é real e constante, e “brechas” sempre podem ser exploradas. O melhor anti-virus existente é o ser humano, pois ele possui o poder de abrir ou não determinado anexo, de executar ou não determinado programa, de acessar ou não determinado site supostamente “malicioso”. Mas como sempre, o ser humano é falho, e erros neste ponto podem ocasionar prejuízos e dores de cabeça enormes, prejuízos e dores de cabeça que muitas vezes são expandidos rapidamente para milhares de outros computadores (basta nos lembrarmos das redes de computadores-zumbis). Portanto, pense também nisto quando for escolher entre uma solução livre ou proprietária. Você beberia algo de olhos fechados, preparado por um estranho, e sem saber o que a tal beberagem contém? Transporte este pensamento para o “mundo” do software e ficará pelo menos com um pouco mais de medo. :) Mas as alternativas estão aí, não se preocupe. Cabe a nós efetuarmos nossas escolhas, e tomarmos nossas decisões tentando imaginar o que tais escolhas irão nos causar daqui a alguns anos. De minha parte, quero ser dono do que produzo, e ter a liberdade de fazer o que bem entender com minha produção. Quero utilizar softwares que não me prendam a nenhum tipo de contrato ou cláusula restritivos. Para mim, o software deve ser apenas um “meio”. E você, o que pensa a este respeito? :)

Informações adicionais

Site oficial do Ubuntu:

http://www.ubuntu.com

Site oficial da Canonical:

http://www.canonical.com

Site oficial do editor de imagens Gimp:

http://www.gimp.org

Goodbye Microsoft: instale o Debian sem complicação

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Conheci há alguns dias atrás um aplicativo/serviço que, sob o sugestivo nome de “Goodbye Microsoft“, se propõe a efetuar uma instalação em modo gráfico da distribuição Linux Debian, executando durante o processo todos os redimensionamentos e criações de partições necessários para a instalação da distribuição, bastando ao interessado apenas possuir uma conexão à internet e o Windows XP instalado na máquina. É uma instalação basicamente “online”, que vai instalar o Debian no computador do interessado mantendo sua atual instalação do Windows XP. :) Ao se efetuar o download do arquivo, o mesmo surpreende pelo tamanho extremamente reduzido (cerca de 170 Kb). Mas ocorre que ele não é o instalador, mas tão somente um pequeno executável que irá efetuar o download de alguns arquivos necessários ao início da instalação e, possivelmente, a partir daí, criar um setor de boot adicional na MBR da máquina, fazendo com que no próximo boot o usuário tenha a opção de iniciar o computador pela tal “opção instaladora” do Debian, a qual irá então efetuar o download dos arquivos necessários, dar início e guiar o usuário durante o processo de instalação e configuração da distro. E tudo em modo gráfico! :)

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É claro que fiz algumas conjecturas acima, baseadas em pesquisas que fiz a respeito e no teste inicial que efetuei, rodando o pequeno executável até um certo momento. Pretendo em breve rodar a instalação até o fim, e postar aqui os resultados. Quanto à ferramenta, além da mesma executar a instalação em modo gráfico, pode-se escolher dentre mais de 20 idiomas, e entre eles está o português. A versão do Debian instalada através da ferramenta é a Etch, e o instalador utilizado é o NSIS (Nullsoft Scriptable Install System), opensource, para nossa alegria. :) A ferramenta possui também dois modos de instalação: um para usuários inexperientes e outro para usuários avançados, e neste último pode-se optar pelos modos “gráfico” e “texto”. No modo avançado, inclusive, é possível até mesmo escolher-se o repositório desejado, entre “unstable” e “stable”. Além disso, existe o modo de instalação e o de reparação, caso já exista alguma instalação do Debian no computador. Confesso que mal posso esperar para ver como o danado se comporta até o fim. :) E temos de admitir que a idéia é excelente, pelo menos para aqueles que possuem banda larga. E um dos pontos mais interessante e importante é que são unificados dois procedimentos distintos e complicados para muitas pessoas: o download da imagem ISO e a instalação da distro, isto sem falar na questão do particionamento, que também é “coberta” pelo Goodbye Microsoft. Esta é uma idéia simplesmente genial, e que merece ser “exportada” para outras “paragens”! Sonhar não faz mal a ninguém, principalmente quando vemos o software livre em geral caminhando a passos largos pelos quatro cantos do mundo, inclusive aqui no nosso Brasil. Prometo postar em breve um tutorial a respeito da ferramenta, e minhas impressões sobre a instalação que vou efetuar através da mesma. Mas se enquanto isso você desejar se aventurar, não se acanhe. Só não se esqueça de efetuar um backup completo de tudo o que é importante em seu computador, pois acidentes acontecem, como todos sabemos. :) Aliás, gostaria de dizer que gostei bastante do nome do projeto/ferramenta, e isto me faz lembrar que a cada dia que passa fica mais fácil e indolor dar adeus ao SO das janelas. :)

Informações adicionais

Site oficial do Goodbye Microsoft:

http://goodbye-microsoft.com

Link direto para download do instalador:

http://goodbye-microsoft.com/pub/debian.exe

Site oficial da distribuição Debian:

http://www.debian.org

Urnas eletrônicas utilizarão Linux já a partir das eleições de 2008

Mais uma daquelas notícias que me deixam muito feliz. Muito mesmo. :)

Parece que a adoção de software livre pelo governo brasileiro (ou pelo menos por alguns setores do mesmo) caminha a passos largos. Há alguns dias atrás postei um artigo a respeito da preferência que o SERPRO dará ao software livre, e agora é fato comprovado que as urnas eletrônicas brasileiras utilizarão Linux já a partir das eleições de 2008, em substituição aos sistemas operacionais proprietários utilizados até então.

Ao que parece será utilizada uma distribuição Linux adaptada pelo próprio TSE, e isto dará muito mais liberdade e credibilidade ao processo todo, pois a utilização de software livre e a liberdade total proporcionada por tal opção, bem como a total eliminação de todas (ou quase todas) e quaisquer limitações ou obrigações impostas por contratos e licenças de software proprietário combina muito mais com democracia, não é? :)

Felizmente, cada vez mais o software livre é encarado não apenas como “software grátis”, mas principalmente como a opção principal e mais viável quando o que se deseja é redução de custos, liberdade, customização e qualidade (isto sem citar inúmeros outros fatores tão ou mais importantes).

Software livre também é uma questão de escolha. Que bom que agora também podemos contar com “urnas livres”.

Fonte: BR-Linux