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Wubi: instale o Ubuntu tomando café

Se você deseja “iniciar no mundo Linux”, a melhor e mais amigável distribuição existente atualmente é o Ubuntu. Você pode, é claro, seguir os procedimentos normais e instalar esta distribuição em paralelo à sua instalação do Windows, em “dual boot“, através da criação de novas partições para o sistema operacional da Canonical.

Apesar de ser um procedimento relativamente simples, vale ressaltar que qualquer “descuido” poderá lhe causar sérios problemas e algumas horas  de trabalho bem cansativas. :)

Uma solução ideal para iniciantes

Felizmente existe uma alternativa que evita o download de imagens ISO, gravação de CD’s, particionamentos e alguns outros procedimentos que podem causar preocupação a muitos usuários.

Trata-se do Wubi, um instalador oficialmente suportado pelo Ubuntu, que  instala este último em seu computador  a partir do próprio Windows, quase que “em um passe de mágica”.

Instalando

O Wubi é um pequeno aplicativo opensource, que possui menos de 1 MB e efetua o download dos arquivos necessários diretamente do site do Ubuntu, instalando-o então no drive que você escolher e alocando para o mesmo o exato espaço em disco que você definir.

Observe que você deve definir de antemão o usuário e a senha para a conta a ser criada, e pode escolher entre o Ubuntu (com a interface gráfica Gnome), o Kubuntu (com a interface gráfica KDE) e o Xubuntu (com a interface gráfica Xfce).

A partir daqui o programa executará o download e a instalação do Ubuntu em seu computador, sem alterar em nada sua atual instalação do Windows, e após a reinicialização da máquina você poderá escolher qual sistema operacional deverá ser inicializado.

Não existem diferenças entre a utilização do Ubuntu instalado “pelas vias normais” e o instalado através do Wubi, exceto pelo fato do acesso ao disco ser um pouco mais lento no Ubuntu instalado através deste último modelo de instalação, principalmente se o seu HD estiver muito fragmentado.

Vale ressaltar que o Wubi instala o Ubuntu como um arquivo, em “c:\ubuntu\disks\root.disk”, arquivo este que é visto pelo próprio Ubuntu como um disco rígido. Além disso, você continua com total acesso às suas outras partições, mesmo aquelas nas quais você possui o Windows instalado.

Desinstalando

Algo muito interessante é o fato de que o Ubuntu instalado através do Wubi pode ser desinstalado a partir do próprio Windows, através de seu painel de controle (opção “adicionar ou remover programas”. Prático, não? :)

Finalizando

Se você deseja conhecer uma excelente distribuição Linux sem sobressaltos e com a certeza de manter seu Windows em perfeito estado, deve com certeza dar uma olhada no Wubi. E se você gostar, como acredito que gostará, pode manter o Ubuntu instalado sem problemas e já ir estudando sua futura migração de sistema operacional.

De qualquer maneira, você só tem a ganhar. Sendo assim, por que não saboreia uma bela xícara de café (ou várias) enquanto o Wubi instala o Ubuntu em seu computador? :)

Informações adicionais

Link para download:

http://wubi-installer.org/latest.php

Porta 25: o opensource, a Microsoft e a interoperabilidade – Parte 2

Bom, amigos, aqui está a segunda parte do artigo a respeito do Porta 25, da Microsoft. A primeira parte pode ser encontrada neste link.

Projetos e atividades mantidos pelo Porta 25

De qualquer forma, um dos objetivos deste publieditorial é esclarecer os pontos principais do projeto, sua importância para a comunidade e a maneira através da qual o Porta 25 pode facilitar o diálogo da Microsoft com outros desenvolvedores, desenvolvam estes aplicativos cujo código seja aberto ou não, pois no final das contas, o que conta para a maioria dos usuários é a continuidade e a liberdade no trato com suas informações. Este diálogo, principalmente, pode ajudar a um melhor entendimento do que realmente é interoperabilidade, qual sua importância e porque este conceito deve estar presente em qualquer ambiente de desenvolvimento.

Podemos visualizar claramente no Porta 25 e no Port 25, por exemplo, uma variedade enorme de análises técnicas e notícias relatando experiências e também fornecendo detalhes técnicos a respeito da utilização de diversas ferramentas que têm a ver com a interoperabilidade, com o software livre, com as possíveis e vantajosas integrações software livre-soluções Microsoft ou com tudo isto.

Como exemplo, posso citar um documento a respeito da conexão a servidores Linux através do OpenSSH (ou Open Secure Shell), utilizando o Windows e o Kerberos para a autenticação. No Porta 25 e em português, podemos conferir algumas outras notícias muito interessantes, como por exemplo o anúncio de apoio, por parte da Microsoft, ao SourceForge.net. Sim, isto mesmo. :)

O SourceForge.net é o maior repositório de software opensource do mundo, a própria Microsoft já hospedou ali alguns de seus projetos, e agora manifesta seu apoio ao projeto e ao seu Community Choice Awards. A empresa dá inclusive sua sugestão de voto, e menciona o NDOS-BR, ou “Núcleo de Desenvolvimento Open Source e Interoperabilidade”, que desenvolve e mantém, como o próprio nome já sugere, diversos projetos ligados ao opensource e à interoperabilidade. Opa, olha ela aqui novamente. :)

Se você por qualquer motivo administra ou acessa remotamente servidores Linux, com certeza deve conhecer e/ou até mesmo já ter utilizado o editor de textos vi, ou sua versão melhorada, o vim. Ou vai me dizer que você nunca digitou o comando “vi php.ini<ENTER>” em seu cliente SSH? :)

Pois bem, o Porta 25 também faz menção a uma análise técnica muito interessante a respeito deste conhecidíssimo editor de textos para sistemas operacionais Linux/Unix, e menciona sua versão para Windows, detalhando todo o processo de instalação e configuração desta excelente ferramenta em seu sistema operacional. Nada melhor e mais democrático do que disponibilizar ao usuário qualquer aplicativo independentemente de qualquer possível entrave relacionado ao sistema operacional que este utiliza, não é?

Achei muito interessante também a referência a um cliente BitTorrent no projeto. A notícia faz menção ao KTorrent, um dos mais conhecidos clientes BitTorrent para o ambiente KDE, o qual acaba de ser portado para o Windows. Muito bom, não? :)

Quando se navega pelo blog do Porta 25 pode-se verificar que existe ali uma infinidade de notícias e informações interessantes, todas elas divididas por datas e acessíveis através da barra lateral (Arquivo). Podemos identificar diversas ações, inclusive, tendo como alvo o software livre, a relação deste com os produtos Microsoft e vice-versa, a utilização de padrões abertos e, principalmente, interoperabilidade.

Também encontramos facilmente documentos relacionados à virtualização e à segurança da informação, este último um quesito também muito importante quando pensamos em “continuidade” da informação. Se você é desenvolvedor e trabalha com o .NET, pode encontrar ali também maiores informações a respeito do “Npgsq”, projeto que possibilita a utilização de bancos de dados Postgresql em seus aplicativos desenvolvidos através do framework da Microsoft.

Recomendo, em especial, os artigos “Open Source influenciou o desenvolvimento do Windows Server 2008″, no qual a Microsoft reconhece muitos dos conceitos e qualidades do opensource como um todo e explica onde e como estes foram utilizados no desenvolvimento do Windows Server 2008, e também “Instalação do Apache no Windows”, onde são fornecidos procedimentos relativos à instalação deste que é o mais conhecido e utilizado servidor web do mundo também em seu sistema operacional.

Existem diversos outros tipos de materiais, como por exemplo citações, matérias, relatórios, documentos técnicos, etc, onde podemos perceber claramente a presença constante do software livre e da interoperabilidade. Dê uma conferida no portal Porta 25 e em seu blog, vale realmente a pena. Todo este esforço em prol de algo que, em suma, se resume à “comunicação“, não pode passar despercebido.

Algumas considerações

O Porta 25 parece ser realmente uma comunidade, dentro da Microsoft, voltada ao software livre e à interoperabilidade. No Brasil, o projeto é coordenado por Roberto Prado, gerente de estratégias da Microsoft e responsável pelo estudo e elaboração de estratégias voltadas ao opensource.

Acredito que o Porta 25 é uma importante e válida iniciativa da Microsoft. Em um mundo cada vez mais sem fronteiras, é imprescindível que a tecnologia também seja assim enxergada, e qualquer entrave à continuidade e/ou à liberdade da informação e de escolha, removido.

Continuidade e democracia implicam no fato de que qualquer usuário, qualquer pessoa, pode e deve escolher aquele aplicativo que mais se adapta às suas necessidades, expectativas e grau de conhecimento. Muito do que o Porta 25 menciona, promove e realiza pode contribuir positivamente neste sentido, uma vez que a informação deve ser opensource, mesmo que o “meio”, ou seja, o aplicativo que a gerou e a mantém, não o seja.

Aliás, vale ressaltar que desde o início deste blog o opensource e a interoperabilidade sempre foram temas presentes por aqui, e inclusive escrevi alguns artigos onde menciono o quão importante é a continuidade da informação, e a sua não submissão à apenas esta ou aquela ferramenta.

Interoperabilidade é continuidade. É a informação sempre disponível. É o software tratado como um “meio”. É a certeza de que seu trabalho permanecerá acessível e legível daqui a 10, 20, 30 anos. É um dos princípios que deveriam nortear qualquer ambiente de desenvolvimento.

Como mencionei acima, toda e qualquer iniciativa que promova a interoperabilidade é válida e louvável. Não há porque uma empresa desenvolvedora de software proprietário se privar dos benefícios deste conceito, benefícios estes benéficos não somente a si própria, mas principalmente a seus usuários e desenvolvedores. Como já mencionei, o software pode ser proprietário, mas a informação gerada e o trabalho realizado devem ser sempre livres, ou de propriedade apenas daqueles que os produzem.

Pense no quão benéfica pode ser esta incursão da Microsoft no terreno do opensource. Todos que me conhecem sabem que sempre tive uma “queda” pelo software livre, mas não se pode negar o fato de que as soluções Microsoft são, sem sombra de dúvidas, as mais utilizadas em diversos campos e ramos de atividade. A interoperabilidade, a “comunicação” de todas estas soluções com as inúmeras ferramentas opensource é algo que pode beneficiar a muitas pessoas, e contribuir para tornar a tecnologia algo cada vez mais democrático e livre de barreiras.

Não estou dizendo que a Microsoft mudou sua maneira de conduzir os negócios, ou até mesmo de pensar, enquanto empresa. Nem se trata disto, aliás. O que devemos é reconhecer quando um esforço positivo é feito, quando uma abertura benéfica é visualizada, quando algo que pode beneficiar a muitos é idealizado. Ela pode, e vai, continuar lucrando com suas soluções, como resultado mais do que justo por seu trabalho. Mas, se a isto tudo ela pode aliar algo tão interessante e útil quanto o Porta 25 que, claro, lhe beneficiará mas também beneficiará a muitas outras pessoas, por que não deveríamos aprová-la?

Pense nisso, e me diga se o Porta 25 não é uma excelente idéia? :)

Este artigo tem caráter publieditorial.

Informações adicionais

Link para acesso ao Portal “Porta 25″ no Brasil:

http://www.porta25.technetbrasil.com.br

Porta 25: o opensource, a Microsoft e a interoperabilidade – Parte 1

Poucas coisas são tão importantes à informação gerada, administrada e armazenada através de qualquer aplicativo, seja ele de código proprietário ou opensource, quanto a interoperabilidade. Independentemente se você utiliza o aplicativo X ou Y, é natural, esperado e recomendável que você seja capaz de, em um momento futuro, trabalhar com um outro software qualquer utilizando os mesmos bancos de dados, arquivos, planilhas e correlatos, mantidas, é claro, as devidas e necessárias adaptações. Isto é interoperabilidade.

Interoperabilidade é o que garante que uma informação crucial de hoje seja plenamente acessível amanhã e, tão ou mais importante, editável. A interoperabilidade caminha de mãos dadas com o código aberto, e a menos que os desenvolvedores possuam acesso ao código ou pelo menos ao modus operandi de determinado aplicativo, esta jamais pode ser alcançada.


Creative Commons License photo credit: juhansonin

Nos dias atuais, qualquer esforço no sentido de promover a comunicação entre aplicativos distintos deve ser louvado e incentivado, uma vez que em um mundo globalizado nenhum usuário é uma ilha, e certamente haverá algum momento em que este hipotético usuário terá a necessidade de trocar informações com outras pessoas, em locais os mais diversos e através de aplicativos os mais diferentes. Além disso, é natural que nem todos os usuários optem pelas mesmas soluções e/ou modelos de licenciamento, e este fator por si só nunca deve ser um entrave à comunicação e à troca de dados.

Um dos maiores exemplos que podemos ter neste aspecto é a World Wide Web, os diversos códigos e linguagens de programação nela utilizados e a correta (ou esperada) visualização de qualquer página desenvolvida em qualquer lugar, através de qualquer um dos diversos navegadores web disponíveis na atualidade. É claro que aqui existem algumas variantes e “problemas” que podem ocorrer dependendo do caso, e existem casos onde uma página bem visualizada em determinado navegador seja visualizada com um ou outro problema em outro. De qualquer forma, este é um problema também relacionado à interoperabilidade, ou melhor, à não observância de determinados pré-requisitos, ou padrões, que visam à total legibilidade de tais códigos, em qualquer local, ambiente, sistema operacional e/ou navegador.

Uma iniciativa muito interessante

Todo este preâmbulo serviu como base, e para que eu pudesse chegar até o projeto alvo deste artigo: o Porta 25, desenvolvido e mantido pela Microsoft.

Na verdade, este projeto já existe há um bom tempo, e sua versão internacional possui o nome de “Port 25“. Seu website possui bastante conteúdo técnico, bem como informações interessantes e úteis a respeito de Linux e interoperabilidade entre as diversas soluções abertas e aquelas desenvolvidas e mantidas pela gigante de Redmond. Além disso, o projeto visa uma maior aproximação entre a Microsoft e a comunidade opensource, aproximação esta que pode, certamente, resultar em benefícios mútuos.

O conceito

Achei muito interessante, aliás, o seguinte trecho constante na página “About” (sobre) do Port 25:

Healthy and productive discussion only occurs when there are two parties listening & responding to each other – the principle element of all communication. This is the foundation that Port 25 is built on.

Ou, em uma tradução livre:

Discussões saudáveis e produtivas somente ocorrem quando existem grupos de pessoas ouvindo e respondendo, mutuamente – o fundamento de toda a comunicação. Este é o alicerce sobre o qual o Porta 25 é construído.

O projeto é bem interessante e norteado por princípios que, se levados realmente a cabo, podem se refletir em benefícios para grande parte da comunidade usuária de software, seja ele de código aberto ou proprietário. Promovendo um espaço onde desenvolvedores, clientes e usuários podem abertamente trocar idéias sobre as diversas soluções utilizadas (tanto soluções Microsoft quanto soluções não Microsoft e/ou opensource), a maneira como estas podem se relacionar e o quanto os resultados serão afetados, negativa ou positivamente, a partir das decisões então tomadas, a Microsoft marca presença em um ambiente até então restrito, e expande seus horizontes rumo ao diálogo com uma comunidade que, de certa forma, sempre enxergou com maus olhos toda e qualquer iniciativa oriunda de uma companhia desenvolvedora de software proprietário.

À parte dos modelos de desenvolvimento e licenciamento adotados pela empresa, são extremamente louváveis seus esforços no sentido de uma maior aproximação da comunidade de software livre, principalmente pelo que pode daí resultar, se a interoperabilidade estiver mesmo em pauta, como parece quando analisamos os eventos, notícias e projetos que constam no Porta 25.

Na próxima parte deste artigo, que será publicada na próxima segunda-feira, 16 de junho de 2008, iremos conferir maiores detalhes a respeito do Porta 25. Aguarde. :)

Este artigo tem caráter publieditorial.

Informações adicionais

Link para acesso ao Portal “Porta 25″ no Brasil:

http://www.porta25.technetbrasil.com.br

Uso de software livre pode se tornar obrigatório no governo argentino

Free SoftwareO governo da Argentina está pensando em tomar uma atitude, em minha opinião, fantástica e sem precedentes. Tomamos conhecimento quase que diariamente de casos de sucesso envolvendo o software livre e/ou formatos abertos de arquivos. São governos ou instituições que optam por alguma determinada solução livre em detrimento de outra proprietária, governos que optam por formatos abertos de arquivos, como o ODF, por exemplo, também em detrimento de formatos fechados, e por aí vai.

Belos exemplos brasileiros

Opensource

Até aqui mesmo no Brasil temos inúmeros exemplos disto, principalmente no estado do Paraná, e até mesmo o governo federal iniciou há pouco tempo atrás a migração de todo o seu sistema de e-mails para uma plataforma opensource, desenvolvida pela CELEPAR. Temos inclusive um novo projeto em tramitação, de autoria do deputado Paulo Teixeira, do PT-SP, o qual pretende fazer com que os formatos abertos de arquivo sejam preferencialmente adotados pelos diversos setores do governo brasileiro.

Todas estas são ações, de certa maneira, isoladas. Podem, é claro, dar início a uma grande “bola de neve”, onde teríamos cada vez mais setores adotando os formatos e aplicativos abertos, o que seria sensacional. São todas atitudes louváveis, e seus autores, sejam eles quem forem, são dignos de aplausos.
Mas são, infelizmente, atitudes isoladas, e acredito que demorará ainda um certo tempo até que consigamos uma maior aceitação, divulgação e adoção do software livre em nosso país como um todo.

Sobre a Argentina e o Software Livre

Já a Argentina pretende tomar uma atitude muito mais radical e drástica. Ela pretende fazer com que seja obrigatória a utilização de software opensource em todos os órgãos governamentais do país. Atitude louvável e merecedora de aplausos? Sem sombra de dúvidas! :)

Segundo o blog “Argentina Discovery“, falta apenas a aprovação deste projeto de lei pelo congresso argentino. Ainda segundo o “Argentina Discovery”, tal atitude será tomada tendo em vista a alta taxa de pirataria de software existente no país. Isto é algo que devemos levar em consideração, com toda a certeza, e o Brasil não fica muito atrás não. Basta darmos um pulo em alguns locais do centro de São Paulo, por exemplo, e vermos uma verdadeira “festa pirata” sendo ali praticada, sob os olhares “atentos” de nossas autoridades. :) Isto sem contarmos a pirataria em empresas. Aliás, acredito que a situação em nosso país vizinho não seja muito diferente da situação que ocorre aqui, onde muitas vezes o pessoal prefere “piratear” ao invés de utilizar um software livre que, se não é similar, faz muito mais do que o “pirateado” que ele insiste em manter em sua máquina.

O blog argentino acima mencionado ainda cita o fato de que mais de 60% dos softwares em utilização no país são ilegais, ou seja, “piratas”, e também relata o prejuízo anual causado por tal prática às empresas desenvolvedoras: US$ 200 milhões. É claro que tais números são fornecidos por uma associação argentina muito similar à nossa ABES, então, é de se supor que tal associação tenha dado uma “forcinha” a fim de aumentar os mesmos. Claro, os números e o percentual citados não são nada absurdos, principalmente se tomarmos o Brasil como exemplo.

O que pode estar por trás de tal atitude?

Estranhamente, entretanto, o “Argentina Discovery” cita o fato de que o próprio governo argentino é um dos maiores usuários de software pirata, e a tal “ABES” argentina possui inúmeras ações judiciais pendentes contra órgãos do governo argentino. Estaria o governo argentino tentando “amenizar” um pouco sua situação frente à tais organizações, além de, desta forma, “melhorar” um pouco sua imagem? Pode ser que sim, pode ser que não, mas aí entraremos no campo das especulações.

Entretanto, parece que muito pouca gente, e também algumas instituições ligadas ao combate da pirataria, compreende realmente o valor “real” de um software, conforme podemos perceber pelas palavras do Sr. Martín Carranza Torres, presidente de uma associação argentina similar à nossa ABES:

“It’s a cultural issue, not a money issue. People just don’t understand the value of software.”

Ou, traduzindo:

“É um problema cultural, e não uma questão relacionada a dinheiro. As pessoas simplesmente não compreendem o valor de um software.”

Ora, aqui tenho de discordar, em alguns pontos, do Sr. Carranza Torres. Em primeiro lugar, trata-se sim de uma questão cultural e monetária, ao mesmo tempo. Software proprietário é caro, na maior parte das vezes, e isto infelizmente acaba levando as pessoas à pirataria, ao invés de levá-las à busca por soluções gratuitas e/ou livres, pois o caminho mais rápido é este, e infelizmente a forma como este assunto é tratado na maioria das vezes pela legislação, pelas software houses, pela mídia, etc, acaba empurrando as pessoas nesta direção.

Campanhas neste sentido, campanhas que conscientizassem o usuário, talvez surtissem mais efeito do que punições como as propostas pelas duas associações de empresas desenvolvedoras de software (a argentina e a brasileira).

É uma questão cultural pois o usuário muitas vezes não possui sequer o conhecimento de que existem soluções livres similares e até melhores do que as proprietárias. Ele não deixa de ter sua parcela de culpa nisto, é claro, mas é notório o fato de que o software livre ainda é desconhecido por grande parcela da população, principalmente daqueles que têm seu primeiro contato com um computador, o qual já vem de fábrica com tudo “prontinho”:

  • Internet instalada (Internet Explorer)
  • Sistema operacional pronto pra uso (o das janelas)
  • Suíte para escritórios (MS Office)
  • Etc.

Um micro entregue da “maneira acima” a um usuário leigo e/ou iniciante fatalmente irá contribuir para que este seja um consumidor de aplicativos “não legalizados”. Está tudo ali, à mão! Para que, pensa este “feliz” usuário, ter o trabalho de buscar alternativas? Isto supondo-se que ele tenha noção de que está cometendo um crime, caso os softwares presentes na nova máquina não sejam legalizados.

E muitas vezes a pirataria já é praticada na fonte, por quem vende o tal computador. Ou seja, é uma questão cultural que, além de tudo, envolve diversas “frentes”, incluindo-se aí inclusive os integradores de hardware e os usuários.

É uma questão monetária também, pois pirataria implica em menos receita para os desenvolvedores, e não adianta as associações de proteção às empresas desenvolvedoras de software dizerem que trata-se apenas de uma questão cultural pois sabemos que quando alguém mexe no bolso de alguém, por mínima que seja tal “ação”, protestos sempre ocorrem. E o dinheiro faz com que atitudes extremas sejam tomadas tanto por quem desenvolve quanto por quem utiliza. Aliás, dinheiro e cultura são conceitos que, em alguns casos, e neste em especial, andam de “mãos dadas”.

Agora, concordo com o Sr. Carranza Torrez quanto ao fato das pessoas não compreenderem o valor de um software. Realmente, a maioria das pessoas não compreende tal valor, e acham que ao “piratearem” determinado aplicativo estão apenas, por exemplo, “pegando uma caixinha” sem pagar, e não entendem todo o trabalho intelectual (e árduo) por trás daquilo tudo.

Medo da livre concorrência ou de que o software livre suplante o software proprietário?

O sr. Martín Carranza Torrez ainda diz:

“We are against any law that impedes free competition. There should be a transparent bidding process, where every program is analyzed objectively.”

Ou, traduzindo:

“Nós somos contra qualquer lei que impeça a livre concorrência. Deve existir um processo transparente de licitação, onde cada programa é analisado objetivamente”

Ora, não consigo entender como uma lei do tipo impediria a livre concorrência. Promoveria, isto sim, uma mudança radical na maneira como são licenciados e oferecidos os softwares.

Tais associações são contra o término da atual maneira de “venda” de software, isto sim, mediante a qual paga-se valores muitas vezes absurdos no licenciamento, conta-se com um suporte “porco”, na maioria das vezes, e quando novas versões são lançadas, têm-se de desembolsar mais uma vez uma pequena fortuna. Isto, com certeza, mexe com a cabeça de muita gente do meio.

Aliás, com este atual modelo ultrapassado, muitas vezes, descobre-se após a renovação da licença que arquivos gerados através da versão anterior do software não são mais passíveis sequer de abertura pela nova versão. Ora, o desenvolvedor é dono do aplicativo, mas daquilo que produzimos através dele também?

E, aliás, por que uma licitação não pode ser transparente e cada aplicativo ser analisado objetiva e corretamente, só porque no meio de tal licitação está presente algum software opensource? O desenvolvedor de tal aplicativo, com certeza, estará apto a responder a quaisquer questões que porventura surjam, além de, caso venha a ganhar tal licitação, prestar todo o suporte técnico adequado.

A não ser que empresas como, por exemplo, a nossa gigante e velha conhecida desenvolvedora do “janelas” mudem muitas coisas em seus termos de uso e licenciamento, é um fato comprovado que as atuais licenças de uso são uma maneira de “castrar” a liberdade do usuário, daquilo que ele produz e, além de tudo, representam uma ameaça à soberania de qualquer país quando se fala nos documentos gerados por tais aplicativos, em formatos proprietários de arquivos.

Sobre números

Falando a respeito de “números”, vale ressaltar o que disse o Sr. Mario Albornoz, diretor do Instituto de Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia na Argentina:

“But switching to open-source software would mean big savings for the government, which is already crippled by a $145 bilion debt.”

Ou, traduzindo:

“Mas, a migração para o software de código aberto significaria grandes economias para o governo, o qual já está incapacitado por uma dívida de US$ 145 bilhões.”

Podemos perceber que a questão é monetária, também, e os dois lados envolvidos se preocupam bastante com ela.

O Sr. Mário Albornoz ainda acrescenta:

“The measure would create jobs for local programmers and software development companies, but might also cause a lot of headaches for functionaries ill-prepared to install and maintain open systems.”

Ou, traduzindo:

“A medida iria proporcionar trabalhos para os programadores e companhias de desenvolvimento de software locais, mas também pode causar uma série de dores de cabeça para funcionários mal preparados para instalar e manter sistemas abertos.”

Alguns comentários sobre novas oportunidades

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Creative Commons License photo credit: JasonJT

Bom, vale ressaltar a parte boa aqui, a “criação de novas oportunidades de emprego e negócios”, para empresas e cidadãos locais. Quanto à parte dita “ruim”, ou seja, o fato de possivelmente o pessoal especializado não estar ainda preparado para lidar com soluções abertas, esta pode ser facilmente contornada, afinal, a comunidade de software livre está presente no mundo inteiro, e qualquer um com um pouco de boa vontade e interesse pode, dentro de seus limites e conhecimento, expandir seus horizontes em pouco tempo.

Novos modelos de negócios

O interessante a ser lembrado aqui é que o software livre permite novos tipos de negócios, muito mais vantajosos sob diversos pontos de vista. Ganha-se continuamente, por exemplo, através da prestação de suporte técnico especializado, manutenção, adaptações e treinamento. Ganha-se de muitas outras maneiras não permitidas pelo modelo proprietário, e as possibilidades são inúmeras principalmente quando falamos em termos de licenciamento, pois o software adaptado e/ou desenvolvido na empresa X pode ser re-utilizado e modificado na empresa Y, desde que os créditos sejam sempre mantidos e toda e qualquer modificação seja também aberta a todos, por exemplo.

É um modelo de negócios muito mais democrático, viável e sustentável a longo prazo, e que permite que a “igualdade” e o compartilhamento das informações estejam sempre disponíveis a todos.

Não quero dizer com isto, é claro, que o software proprietário é “do mal”, ou que deve ser “execrado”. O que acontece é que muitas vezes as pessoas e empresas aparentemente não repensam suas atitudes e seu “modo de agir”, e acabam por insistir muitas vezes em modelos de negócios ultrapassados e totalmente em desacordo com os novos tempos. Basta observarmos, por exemplo, a “antiquadíssima” postura mantida pelas gravadoras, punindo seus próprios clientes, ao invés de investir em maneiras alternativas para a disponibilização de seu acervo. Mas este é assunto para outro post. :)

Finalizando

A Argentina está de parabéns, em diversos aspectos. O que não pode haver é “xiitismo” e/ou atitudes apressadas, pois muitas vezes, por exemplo, apenas softwares proprietários suprem determinadas situações. Temos sempre que utilizar o bom senso em tudo. Louvemos a atitude da Argentina, e esperemos realmente que o que agora é somente uma intenção seja dentro de pouco tempo uma realidade. Mas sempre com cautela e certeza daquilo que se está fazendo.

E, quem sabe, daqui a pouco teremos iniciativas semelhantes por aqui? Os diversos casos brasileiros que citei acima podem ser apenas o início. :)

Fontes:

BR-Linux.org

Argentina Discovery

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Conheça e, se possível, ajude o projeto CDLivre

CDLivre Logo

A maioria, ou pelo menos alguns de nós, em alguns momentos e seja por que motivos for, ainda é obrigado a utilizar o sistema operacional das “janelas”, infelizmente. Seja em nosso trabalho ou até mesmo em nossa casa, pelos motivos mais diversos, isto ainda ocorre freqüentemente, até mesmo contra a nossa vontade.

Porém todo e qualquer esforço que fizermos para que a utilização de software proprietário se resuma apenas ao sistema operacional, nestes casos, é válido e benéfico, pois pirataria não é legal, principalmente quando temos à disposição uma infinidade de aplicativos opensource e/ou livres disponíveis também para Windows, os quais suprem na maioria das vezes nossas necessidades no tocante a diversas atividades diferentes, como por exemplo editores de texto (OpenOffice/BrOffice), compactadores/descompactadores (7-Zip), gerenciadores de senha (Keepass), clientes FTP (Filezilla), editores html (NVU ou Amaya), etc. A lista é longa, e é possível, na maioria das vezes, com um pouco de esforço e boa vontade, utilizarmos somente aplicativos opensource e/ou livres quando somos obrigados a utilizar o Windows como sistema operacional.

Há pouco tempo atrás tomei conhecimento de um projeto bem interessante, chamado CDLivre, o qual tem por meta a pesquisa, escolha e disponibilização gratuita de inúmeros aplicativos livres em um único CD, o qual leva o nome do projeto e que se encontra agora em sua versão 3.0, lançada, aliás, no dia de hoje. :)

Citando as palavras dos próprios criadores do projeto CDLivre, segue abaixo um resumo com os pontos principais que definem o projeto:

  • É destinado a usuários do Microsoft Windows.

  • É destinado a usuários que necessitam usar programas de computador (softwares) de forma legalizada.

  • É uma coletânea de softwares livres.

Vale citarmos também algumas palavras constantes na página “Sobre” do projeto, que definem muito bem o mesmo:

“O CDLivre é um CD contendo diversos programas de computador que podem ser copiados e distribuídos livremente, dentro das normais da Lei.

Por que ser Pirata se você pode ser Legal?! “

A importância de projetos deste tipo

É claro que qualquer um pode obter de outras maneiras, também de forma gratuita, diretamente no site do(s) desenvolvedor(es), em sites de download ou em diversos repositórios espalhados pela internet, os mesmos aplicativos disponibilizados através do CDLivre, bastando para tanto efetuar algumas pesquisas na web.

Mas é louvável o esforço que o pessoal do projeto teve (e continua tendo) em pesquisar, escolher, compilar, divulgar e disponibilizar em um único CD diversos aplicativos de extrema utilidade e, muitas vezes, imprescindíveis quando se deseja “legalidade“, “funcionalidade” e “liberdade” também enquanto trabalhando no Windows.

Além do mais, existe também a questão da divulgação, e o fato de que muitas pessoas sequer sabem que existem alternativas livres à diversos softwares proprietários (e muitas vezes caríssimos). Iniciativas como esta do CDLivre são benéficas e bem vindas, ao mostrarem que existe um “mundo à parte”, livre e repleto de ferramentas de qualidade, em oposição ao mundo “fechado” e muitas vezes “elitista” do software proprietário, à pessoas que, talvez, de outra maneira, demorariam muito mais tempo para conhecer tais opções.

Os aplicativos contidos no CDLivre estão divididos em 07 (sete) categorias, sendo elas:

  • Desenvolvimento

  • Design

  • Internet

  • Jogos

  • Multimídia

  • Produtividade

  • Utilitários

Podemos encontrar no CDLivre softwares consagrados e de qualidade indiscutível, como por exemplo o excelente editor de imagens Gimp, o fantástico Blender (para modelagem e animação 3D), o Scribus (para diagramação), o Apache e o MySQL (que dispensam comentários), o InnoSetup (ferramenta para geração de instaladores), o fantástico mensageiro instantâneo multi-plataforma Pidgin (antigo Gaim), o editor de áudio Audacity, a maravilhosa suíte de escritórios OpenOffice/BrOffice, uma série de jogos bem legais e mais uma ampla gama de aplicativos úteis e totalmente livres. O CDLivre é uma excelente compilação, e o esforço da equipe que criou e mantém o projeto é louvável.

Versão 3.0 – Ajude, se possível

Segundo o blog do projeto, a versão 3.0 do CDLivre está pronta. Porém, o pessoal está com um grande problema: como disponibilizar o CD?

O “pacote”/CD contém ao redor de 700 Mb, portanto, não é tão fácil assim a disponibilização de tal volume de dados para download, principalmente se uma grande divulgação for feita e a quantidade de downloads for grande (como espero que seja). É necessário uma certa estrutura, principalmente no tocante ao “tráfego”/bandwidth.

De minha parte, estou ajudando da forma que posso, através deste post, esperando que alguém que porventura passe por aqui e possua um servidor dedicado (ou alguns) com espaço e tráfego disponíveis, ou até mesmo uma empresa de hospedagem e/ou similares, sinta simpatia pelo projeto e ajude o pessoal do CDLivre.

Divulgação também é importante. Se você aprecia ou usa software livre, acredita (como eu) que atitudes como as do pessoal do CDLivre podem fazer a diferença e possui um site e/ou um blog, por que não fazer um post a respeito do projeto, ajudando a divulgar o mesmo? :)

Talvez assim consigamos formar uma “rede” de apoio, e o CDLivre consiga atingir um número bem maior de pessoas, pessoas estas que, talvez, possam vir a “engrossar” as fileiras do software livre, em um futuro bem próximo. De minha parte, desejo muito sucesso ao projeto, e espero que eles consigam logo uma maneira de disponibilizar o CDLivre sem maiores complicações, atingindo um número cada vez maior de pessoas. Acredito que qualquer tipo de ajuda, por mínima que seja, pode vir a fazer alguma diferença. Ajude você também, se puder. :)

Informarções adicionais

Site oficial do projeto:

http://cdlivre.wordpress.com

Notícia a respeito do lançamento do CDLivre 3.0:

http://cdlivre.wordpress.com/2008/03/30/cdlivre-30-pronto

Maiores informações sobre o projeto:

http://cdlivre.wordpress.com/sobre

http://cdlivre.wordpress.com/sobre/oquee

Informações a respeito da versão 3.0 e programas inclusos:

http://cdlivre.wordpress.com/cdlivre-versao-30

Como obter (disponível para download, por enquanto, somente a versão 2.0):

http://cdlivre.wordpress.com/obter

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