SERPRO e Debian: opção e colaboratividade



O título deste artigo engloba dois pontos muito importantes na recente escolha do SERPRO, uma das maiores empresas de tecnologia da informação da América latina. O órgão escolheu a distribuição Linux Debian como a distribuição preferencial para seus servidores, e como se não bastasse, ainda manifestou interesse em colaborar com o Projeto Debian.

Tudo isto acontece em um período onde o software livre está, digamos assim, “em alta”. É um período super propício para tal opção por parte do SERPRO, entidade, aliás, que sempre teve uma “queda” pelo software livre. E, nos últimos dias, convenhamos, o que não faltam são (boas) notícias envolvendo o software livre e os padrões abertos, sua filosofia e benefícios: o Google lançou um navegador de código aberto e o ODF começa a “tomar conta” de diversos órgãos e empresas estatais brasileiras, só para citar alguns exemplos.

Uma sábia decisão

Ao optar pelo Debian, distribuição bastante conhecida e utilizada, sendo uma das mais populares e que serviu como base, por exemplo, para o também excelente Ubuntu, o SERPRO reforça ainda mais seu compromisso com o software livre e com a liberdade da informação.

Além disso, o SERPRO manifestou interesse em colaborar com o projeto Debian de uma maneira, acredito eu, bi-lateral: ganharão ambas as partes nesta “troca de conhecimento”, e além dos benefícios diretos que podemos claramente visualizar nesta colaboração, uma série de outros benefícios, indiretos mas nem por isto menos importantes, podem ser esperados:

  • Redução de custos.
  • Maior possibilidade de customização, de acordo com as necessidades da situação.
  • Maior liberdade de ação e ausência de contratos “predatórios”.
  • Divulgação do software livre em uma esfera onde há até algum tempo atrás a presença de tal modelo seria impensável.
  • Abertura de um precedente para que outras instituições similares façam o mesmo, até mesmo porque o projeto Debian anunciou que “deixará seu canal de comunicação para parceiros institucionais aberto a outras instituições governamentais que desejem considerar uma relação similar“.

Além disso tudo, o SERPRO anuncia que futuras licitações públicas conterão cláusulas obrigando os participantes/desenvolvedores a manterem total compatibilidade com o Debian GNU/Linux. Estas medidas acabarão, creio eu, elevando o software livre em nosso país a níveis nunca antes sequer sonhados, onde a liberdade de escolha será fator decisivo. Onde todo e qualquer aplicativo poderá ser “desvendado” por todos aqueles que assim desejarem e tiverem o conhecimento necessário para tal.

Liberdade e benefícios

Na verdade, tudo isto pode ser resumido às duas já mencionadas palavras: opção e colaboratividade. Opção para escolher dentre inúmeras ferramentas e ter o poder de investigar a fundo como estas se comportam, quais são seus pontos fortes e fracos, e qual delas é a ideal para a situação em questão.

Colaboratividade é também primordial, pois permite que falhas sejam descobertas, divulgadas e solucionadas muito mais rapidamente. Permite que o trabalho da comunidade de desenvolvedores possa ser divulgado, reaproveitado e melhorado, com os devidos créditos mantidos e todos os benefícios resultantes disponibilizados a todos. Este é ou não é o melhor modelo para uma empresa como o SERPRO, e até mesmo para o governo brasileiro na íntegra?

Os benefícios? Segurança elevada, portabilidade facilitada, interoperabilidade irrestrita e colaboratividade sem limites. Quem ganha com tudo isto? O SERPRO, o Projeto Debian e a comunidade de desenvolvedores e usuários de software livre: eu, você, e quem mais estiver disposto a dar o primeiro passo. :)

Fontes:

Movimento Software Livre Paraná

Tech Force – Linux Blog

PSL Brasil

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