ODF e interoperabilidade no Brasil: vão bem, obrigado



Pelo que parece, cada vez mais caminhamos em direção a um ponto onde a interoperabilidade será não só recomendável, mas obrigatória. Não imposta, mas aceita como algo irrefutável, por todos aqueles que desejarem pertencer e interagir com este fantástico novo cenário. A verdade é que a maioria, pelo menos neste caso, vencerá, e acabará por forçar qualquer movimento contrário a desaparecer ou então a se adequar às “novas regras”. E tal maioria, pelo que tudo nos indica, está pendendo mais para o lado dos formatos de arquivos abertos, que permitem total e irrestrita troca de informações, bem como a perfeita continuidade de toda e qualquer informação.


Creative Commons License photo credit: Môsieur J.

Grandes corporações estão abandonando ferramentas proprietárias, o software livre e uma miríade de sistemas operacionais também livres se mostram cada vez mais maduros, robustos e aptos a “fazerem bonito” onde há até bem pouco tempo atrás somente ferramentas proprietárias “reinavam” e, em meio a tudo isto, a interoperabilidade se faz cada vez mais presente e necessária, e os padrões abertos são cada vez mais adotados, respeitados e recomendados, tais como, por exemplo, o ODF.

O ODF no Brasil e no Mundo

Não faltam casos de sucesso e/ou notícias relacionadas a adoções do formato ODF ao redor do mundo, e uma das mais recentes adoções do formato ocorreu na Suécia, onde o ODF foi definido como formato de arquivos padrão pelo governo do país.

Não precisamos, entretanto, irmos tão longe para obtermos boas notícias relacionadas ao formato e aos benefícios que o mesmo proporciona. Foi assinado recentemente em nosso país o “Protocolo de Brasília”, através do qual diversos órgãos, bancos e empresas estatais se comprometeram a adotar o ODF como o formato de arquivos padrão. O Brasil já deu grandes passos em direção à adoção de padrões abertos, e o Governo do Estado do Paraná é um dos mais expressivos representantes desta importante caminhada.

Entretanto, com a assinatura do Protocolo de Brasília acredito que poderemos esperar por uma rápida e massiva adoção do ODF como padrão em diversos setores de nosso governo, o que acabará por provocar, creio eu, o gradual  e natural abandono dos formatos fechados.

A Vice-Presidente de Tecnologia da Caixa Econômica Federal, Clarice Copetti (pelo que parece, principal mentora deste “movimento”), menciona o fato de que os órgãos que ainda não assinaram o Protocolo “deverão fazê-lo em breve. É claro que este é um alerta claro e direto para todos, principalmente porque ela também afirma o seguinte, a respeito do mesmo Protocolo:

“…é uma consolidação da vontade do Governo Brasileiro em direcionar a sua estratégia de adoção de padrões abertos para documentos”

Dignas de nota também são suas seguintes palavras:

“Deixo explícito para o mercado nacional e internacional o que este governo ou estas empresas e instituições estão planejando fazer sobre padrões de documentos. É uma mensagem aberta, sem dúvida nenhuma, para que o mercado possa apressar, se ajustar, aos serviços de suporte ao maior comprador do mercado brasileiro e, eu diria o maior comprador mundial, que é o governo brasileiro, através de suas instituições e empresas públicas”

É impressão minha ou podemos, nas palavras acima, enxergar uma certa “alfinetada” à ISO e ao recente processo de aprovação do OOXML, bem como à rejeição dos protestos contra tal aprovação feito por alguns países, dentre eles o Brasil? :)

Finalizando

O que fica claro nisto tudo é que o ODF merece e deve ser respeitado e adotado por quem quer que deseje interoperabilidade e liberdade, seja um usuário doméstico ou o governo de qualquer país. Acredito que o Protocolo de Brasília deva ser divulgado ao máximo, e espero sinceramente que todo este comprometimento demonstrado resulte em ações concretas, e que não fiquemos só no “blá, blá, blá”.

Mas pelo menos neste ponto estou otimista, e acredito que bons frutos surgirão disto tudo, e dentro de um certo tempo a interoperabilidade no Brasil sairá do papel e das mentes e provocará mudanças importantes e necessárias à nossa sociedade e ao modo como a informação é tratada. O caminho natural da informação na atualidade é em direção a patamares muito superiores, que crescem e prosperam “ao ar livre”, e nestes não existe espaço para grilhões e nem tampouco para a liberdade vigiada que alguns poucos querem impor à todo custo. Estes, mesmo que ganhem uma ou duas batalhas, jamais conseguirão vencer a “guerra”.

Estou otimista hoje, não? :)

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One Response to “ODF e interoperabilidade no Brasil: vão bem, obrigado”

  1. [...] padrões abertos, sua filosofia e benefícios: o Google lançou um navegador de código aberto e o ODF começa a “tomar conta” de diversos órgãos e empresas estatais brasileiras, só para citar alguns [...]

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