A IBM está abandonando o MS Office aos poucos - Quem tem medo do OOXML?



Parabéns à IBM. :)

Eu não poderia deixar de iniciar este artigo parabenizando esta empresa por tão sábia e, digamos, inadiável decisão. Nada contra o MS Office em si enquanto ferramenta, mas tudo a favor da opção pela liberdade e pela ênfase ao software livre e aos padrões abertos que esta decisão, a respeito da qual comentarei abaixo, representa.

A IBM está, aos poucos, substituindo nos computadores de seus funcionários a suíte Office da Microsoft pelo Lotus Symphony, uma suíte para escritórios gratuita e desenvolvida pela própria IBM, tendo como base o OpenOffice. O “pacote Symphony” contém um editor de textos, um aplicativo para a criação de planilhas eletrônicas e um editor de apresentações.

O programa pode ser baixado gratuitamente por qualquer pessoa, e o mais interessante de tudo isto é que ele possui como formato de arquivos padrão o ODF, o que significa que este também passa a ser o formato de arquivos preferencial dentro da empresa.

Segundo Avi Alkalay, assessor da IBM para assuntos relacionados a padrões abertos, opensource e Linux, todos os funcionários da empresa receberam um comunicado a respeito da não inclusão da suíte MS Office em novos computadores. O mesmo comunicado (segundo o próprio Avi Alkalay) ainda diz que qualquer funcionário que deseje continuar com o MS Office deverá justificar o porquê de tal decisão. :)

Alguns comentários pertinentes

Em épocas como esta, em que a ISO simplesmente ignorou as objeções  apresentadas por países tais como, por exemplo, Brasil, África do Sul e Índia, e aprovou, infelizmente, o desnecessário e sabidamente “enchedor de linguiça” OOXML, notícias como esta são como um verdadeiro bálsamo, e fazem-nos perceber que ainda existe um pouco de bom senso e “visão de futuro” nas grandes corporações.

Acima de tudo, o abandono gradual do MS Office pela IBM mostra que o software livre “não está para brincadeira”, e que os padrões abertos são uma realidade avassaladora, pois são a única maneira de garantirmos a continuidade, a interoperabilidade e a correta preservação da informação, sempre livre de quaisquer grilhões e/ou interesses econômicos.

A adoção do ODF como formato de arquivos padrão pela IBM, consequência de sua preferência pelo Lotus Symphony, também é mais um “tapa na cara” de todos aqueles que brigaram pela aprovação do OOXML, e também de todos os envolvidos na rejeição das apelações  contra tal aprovação movidas pelos países que citei acima, dentre outros.

Finalizando

O que está em jogo, veja bem, não é o melhor ou o pior aplicativo, nem uma suposta supremacia do software opensource sobre o proprietário (ou vice-versa); nem tampouco o melhor ou o pior formato de arquivos. O que está em jogo é a informação livre de amarras e a liberdade de escolha. Nesta linha de pensamento, tanto faz, aliás, se o OpenXML é um padrão ISO ou não.

O usuário, as empresas e o próprio mercado decidirão quem (ou qual) é o melhor, e aí, nenhuma máscara consegue se sustentar por muito tempo. Aliás, a do OOXML durou muito pouco, não? :)

Fonte: Avi Alkalay

Leia também os seguintes artigos relacionados:

  1. ODF e interoperabilidade no Brasil: vão bem, obrigado
  2. A OTAN adota o ODF
  3. SERPRO e Debian: opção e colaboratividade
  4. GScrot 0.60: captura de screenshots cada vez melhor
  5. O Firefox entrou para o Livro dos Recordes

Related posts brought to you by Yet Another Related Posts Plugin.





6 Responses to “A IBM está abandonando o MS Office aos poucos - Quem tem medo do OOXML?”

  1. Ótimo artigo, não entendo nada disso, mas o assunto é fascinante :)
  2. Opa, que bom que gostou do artigo, Evandro. :)

    O assunto é fascinante, realmente, e quanto mais você se “embrenha” nele, mais quer conhecer…rs

    Um abração!

  3. Lauro says:
    Eu sei que muitos não entendem estas siglas, mas aí vai uma explicação mais leve. quando você digita um documento no PC você precisa de um editor de texto, o MSOffice da microsoft é caro e você não tem como modifica-lo (código fechado). Estes outros são gratuito, cumprem as mesma finalidade, pode ser modificado e é grátis.
    Resumindo é igual aos vídeos que você assiste no seu computador, são vários tipos de arquivos mas o que interessa mesmo é a imagem e o som.
  4. Lauro says:
    desculpe a redundância aí no gratuito e no grátis.
  5. Realmente, Lauro.

    Você sintetizou bem: o que interessa é o resultado, e se este for obtido mediante uma alternativa “livre” e realmente aberta, melhor.

    Grande abraço!

  6. [...] Grandes corporações estão abandonando ferramentas proprietárias, o software livre e uma miríade de sistemas operacionais também livres se mostram cada vez mais maduros, robustos e aptos a “fazerem bonito” onde há até bem pouco tempo atrás somente ferramentas proprietárias “reinavam” e, em meio a tudo isto, a interoperabilidade se faz cada vez mais presente e necessária, e os padrões abertos são cada vez mais adotados, respeitados e recomendados, tais como, por exemplo, o ODF. [...]

Leave a Reply