A OTAN adotou o formato aberto de arquivos ODF, e incluiu o mesmo em sua lista de normas obrigatórias, visando promover a interoperabilidade. Esta iniciativa não deixa de ser notável e louvável, e a menção ao fato de que o OOXML não está incluso em tal lista é ainda mais interessante, e mostra mais uma vez o quão desnecessário é este último.
Cada vez mais o ODF é visto com bons olhos por governos e todos os tipos de organizações ao redor do mundo. Cada vez mais a interoperabilidade é levada em conta, e as pessoas compreendem o quão nociva é a sua inobservância.
Interoperabilidade acima de tudo
Acredito que o caminho natural seja este mesmo, ainda que alguns digam o contrário. A necessidade vai acabar moldando a maneira de pensar de toda e qualquer pessoa envolvida em iniciativas que envolvam o tratamento de informações, e cada vez mais a interoperabilidade será colocada em primeiro plano. Não pode ser de outra forma, creio eu, pois em caso contrário o que obteremos com o decorrer do tempo é uma enorme balbúrdia, um mundo caótico onde ninguém se entenderá, onde cada pessoa e cada software “falará” um idioma “próprio” e intraduzível.
E não estou falando aqui somente a respeito do software, é claro. O software é (ou pode ser) independente da informação que gera e trata. Esta, sim, deve ser totalmente livre e capaz de “transitar” nos mais diversos aplicativos e meios, e ser plenamente utilizável onde quer que se faça necessária.
Se vamos utilizar software livre ou proprietário, esta é uma escolha que deve ser feita mediante uma análise cuidadosa das nossas reais necessidades e do impacto que a migração para um ou outro programa terá sobre nossa produtividade, sejamos “empresas” ou “usuários domésticos”. É claro que o software opensource na maioria das vezes se mostra a escolha mais sensata, viável e correta, sob diversos aspectos. De qualquer forma, o que importa é a escolha consciente, e a adoção de soluções que jamais impeçam a livre troca de informações.
Pensando no futuro
A OTAN parece ter entendido tudo isto. Aliás, o mesmo se pode dizer de outras organizações de peso, brasileiras ou não, bem como de diversos governos ao redor do mundo. O conhecimento parece estar sendo priorizado, e é com extrema tristeza que ainda somos obrigados a “engolir” certas aberrações propostas por nossos parlamentares, idéias cuja simples menção me enojam, pois caminham na contra-mão de tudo o que eu disse acima e transformam em crime o compartilhamento da informação.
Mas chega de digressões por hoje.
O que importa é que a OTAN se junta ao importante grupo dos que entendem e promovem a interoperabilidade, e por se tratar de uma organização que lida com interesses e grupos de pessoas os mais diversos, a opção pelo ODF é ainda mais importante, e assegura que todas as decisões e documentos gerados hoje e armazenados sob o formato sejam plenamente acessíveis no futuro, mantendo a transparência que uma entidade deste tipo precisa.

photo credit: Lawrie Cate
Aliás, transparência é o que parece estar faltando lá em Brasília, não?
Leia também os seguintes artigos relacionados:
Fico uns dias sem vir aqui e quando volto olha só quanta coisa boa você postou para nos ajudar .
Se você soubesse o quanto ajuda no meu trabalho … ia pedir comissão, rs .
O Open 2 Tech é praticamente meu “personal cunsultant” .
Thanks again for sharing
Carol
É muito bom saber que meus artigos são úteis.
Um abraço, e sinta-se em casa, ok?