Porta 25: o opensource, a Microsoft e a interoperabilidade – Parte 1



Poucas coisas são tão importantes à informação gerada, administrada e armazenada através de qualquer aplicativo, seja ele de código proprietário ou opensource, quanto a interoperabilidade. Independentemente se você utiliza o aplicativo X ou Y, é natural, esperado e recomendável que você seja capaz de, em um momento futuro, trabalhar com um outro software qualquer utilizando os mesmos bancos de dados, arquivos, planilhas e correlatos, mantidas, é claro, as devidas e necessárias adaptações. Isto é interoperabilidade.

Interoperabilidade é o que garante que uma informação crucial de hoje seja plenamente acessível amanhã e, tão ou mais importante, editável. A interoperabilidade caminha de mãos dadas com o código aberto, e a menos que os desenvolvedores possuam acesso ao código ou pelo menos ao modus operandi de determinado aplicativo, esta jamais pode ser alcançada.


Creative Commons License photo credit: juhansonin

Nos dias atuais, qualquer esforço no sentido de promover a comunicação entre aplicativos distintos deve ser louvado e incentivado, uma vez que em um mundo globalizado nenhum usuário é uma ilha, e certamente haverá algum momento em que este hipotético usuário terá a necessidade de trocar informações com outras pessoas, em locais os mais diversos e através de aplicativos os mais diferentes. Além disso, é natural que nem todos os usuários optem pelas mesmas soluções e/ou modelos de licenciamento, e este fator por si só nunca deve ser um entrave à comunicação e à troca de dados.

Um dos maiores exemplos que podemos ter neste aspecto é a World Wide Web, os diversos códigos e linguagens de programação nela utilizados e a correta (ou esperada) visualização de qualquer página desenvolvida em qualquer lugar, através de qualquer um dos diversos navegadores web disponíveis na atualidade. É claro que aqui existem algumas variantes e “problemas” que podem ocorrer dependendo do caso, e existem casos onde uma página bem visualizada em determinado navegador seja visualizada com um ou outro problema em outro. De qualquer forma, este é um problema também relacionado à interoperabilidade, ou melhor, à não observância de determinados pré-requisitos, ou padrões, que visam à total legibilidade de tais códigos, em qualquer local, ambiente, sistema operacional e/ou navegador.

Uma iniciativa muito interessante

Todo este preâmbulo serviu como base, e para que eu pudesse chegar até o projeto alvo deste artigo: o Porta 25, desenvolvido e mantido pela Microsoft.

Na verdade, este projeto já existe há um bom tempo, e sua versão internacional possui o nome de “Port 25“. Seu website possui bastante conteúdo técnico, bem como informações interessantes e úteis a respeito de Linux e interoperabilidade entre as diversas soluções abertas e aquelas desenvolvidas e mantidas pela gigante de Redmond. Além disso, o projeto visa uma maior aproximação entre a Microsoft e a comunidade opensource, aproximação esta que pode, certamente, resultar em benefícios mútuos.

O conceito

Achei muito interessante, aliás, o seguinte trecho constante na página “About” (sobre) do Port 25:

Healthy and productive discussion only occurs when there are two parties listening & responding to each other – the principle element of all communication. This is the foundation that Port 25 is built on.

Ou, em uma tradução livre:

Discussões saudáveis e produtivas somente ocorrem quando existem grupos de pessoas ouvindo e respondendo, mutuamente – o fundamento de toda a comunicação. Este é o alicerce sobre o qual o Porta 25 é construído.

O projeto é bem interessante e norteado por princípios que, se levados realmente a cabo, podem se refletir em benefícios para grande parte da comunidade usuária de software, seja ele de código aberto ou proprietário. Promovendo um espaço onde desenvolvedores, clientes e usuários podem abertamente trocar idéias sobre as diversas soluções utilizadas (tanto soluções Microsoft quanto soluções não Microsoft e/ou opensource), a maneira como estas podem se relacionar e o quanto os resultados serão afetados, negativa ou positivamente, a partir das decisões então tomadas, a Microsoft marca presença em um ambiente até então restrito, e expande seus horizontes rumo ao diálogo com uma comunidade que, de certa forma, sempre enxergou com maus olhos toda e qualquer iniciativa oriunda de uma companhia desenvolvedora de software proprietário.

À parte dos modelos de desenvolvimento e licenciamento adotados pela empresa, são extremamente louváveis seus esforços no sentido de uma maior aproximação da comunidade de software livre, principalmente pelo que pode daí resultar, se a interoperabilidade estiver mesmo em pauta, como parece quando analisamos os eventos, notícias e projetos que constam no Porta 25.

Na próxima parte deste artigo, que será publicada na próxima segunda-feira, 16 de junho de 2008, iremos conferir maiores detalhes a respeito do Porta 25. Aguarde. :)

Este artigo tem caráter publieditorial.

Informações adicionais

Link para acesso ao Portal “Porta 25″ no Brasil:

http://www.porta25.technetbrasil.com.br

Leia também os seguintes artigos relacionados:

  1. Porta 25: o opensource, a Microsoft e a interoperabilidade – Parte 2
  2. Lista de aplicativos gratuitos e/ou opensource – Parte 1
  3. Microsoft quer impor seu OpenXML a qualquer custo
  4. Lista de aplicativos gratuitos e/ou opensource – Parte 6
  5. Alguns comentários sobre o OOXML, a Microsoft, a ABNT e o ODF





4 Responses to “Porta 25: o opensource, a Microsoft e a interoperabilidade – Parte 1”

  1. Anonymous says:
    Porta 25: o opensource, a Microsoft e a interoperabilidade – Parte 1…

    Conheça o Projeto Porta 25, da Microsoft, que visa uma maior aproximação da empresa com a comunidade opensource, e ao aumento da interoperabilidade entre suas soluções e as soluções de código aberto.

    Poucas coisas são tão importantes à info…

  2. Ótima notícia! É preciso se adaptar. Ver a Microsoft se aproximar da comunidade de software livre é bem interessante e fico até curioso para saber quais serão os resultados desses projetos.
  3. Realmente.

    Se a gente observar principalmente essa parte da interoperabilidade, a coisa fica ainda mais interessante e, principalmente, essencial.

    Grande abraço, Evandro! :)

  4. [...] Bom, amigos, aqui está a segunda parte do artigo a respeito do Porta 25, da Microsoft. A primeira parte pode ser encontrada neste link. [...]

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