Parece estar havendo uma certa mobilização por parte da blogosfera em relação ao possível bloqueio do Wordpress.com no Brasil. Além de alguns blogs já estarem se manifestando contra o tal bloqueio, foi criado dentro do próprio Wordpress.com um blog chamado “Não ao bloqueio do Wordpress“, o qual disponibiliza inclusive alguns selos que podem ser utilizados em outros blogs, como forma de protesto.
O que vale destacar disto tudo é o fato de que a ordem judicial e o próprio bloqueio em si são totalmente descabidos, uma vez que um simples contato com o pessoal do Wordpress.com resolveria o caso, como bem demonstrou o contato mantido pelo pessoal do blog pBlog com o Mark, do Wordpress.com.
Simplificando: não teria sido muito mais fácil tentar o bloqueio somente do blog “problemático” através de um contato similar ao acima mencionado, ao invés da expedição de uma ordem judicial tão ridícula e que demonstra, acima de tudo, a total inépcia de nosso poder judiciário ao lidar com questões deste tipo?
Espero sinceramente que tal bloqueio não ocorra, e que sejam utilizados meios modernos, civilizados e simples para a resolução de tal problema. Problema que, aliás, teve suas dimensões aumentadas, infelizmente, devido à incompetência de nosso poder judiciário.
Esta “ordem judicial” seria extremamente cômica caso não provocasse problemas como os que provocará, caso o bloqueio realmente ocorra. Esquecendo por um momento a importância e/ou a segurança de ter seu site/blog hospedado em um servidor/serviço de hospedagem pago e não em um gratuito, vale ressaltar que o Wordpress.com é um excelente serviço, que permite a qualquer um expressar suas idéias e seu conhecimento de forma gratuita. Além disso, existem ali ótimos blogs, com excelente conteúdo. Basta procurarmos.
É inadmissível que apenas pelo erro de um único desconhecido, toda uma “comunidade” pague um preço tão alto. O que nos resta é esperar que o bom senso impere, e que o Wordpress.com continue acessível a todos os brasileiros.
Abaixo segue o banner criado pela campanha do “Não ao bloqueio do Wordpress“. Se você puder, divulgue esta notícia e “campanha” em seu blog ou site:
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Vamos procurar entender como funciona a justiça antes de sair falando que ela não entende de internet. Ora, e nós entendemos de direito?
Ora, e você pode afirmar que a justiça realmente entende de internet e ou de todas as inovações que surgiram nos últimos tempos?
Nós não entendemos de direito, mas a justiça entende de internet?
Veja, eu apenas disse que, em minha opinião, a maneira como o caso foi tratado foi, este sim, um erro crasso. Não sei se um erro crasso de interpretação ou de ação, mas um erro, pura e simplesmente.
E o tal do projeto do Senador Eduardo Azeredo, não é uma representação “clássica” daquilo que vai na cabeça de nossos parlamentares, por exemplo, quando se fala de tecnologia, internet e afins? Não digo que se deva generalizar, mas isto ocorre.
Acredito que não cometi um erro crasso de direito, mesmo porque não sou advogado e não entrei muito a fundo nos detalhes jurídicos da coisa. Apenas expus minha opinião a respeito de uma decisão que, queiramos ou não, é ela própria um erro crasso.
Punir-se a maioria pelo erro de um único cidadão. Onde está a lógica ou a justiça aqui? Nós não entendemos de direito, mas entendemos, pelo menos um pouquinho, de internet, e de como ela funciona, e sabemos que existem outras maneiras de se punir o responsável pelo delito sem prejudicar quem não está envolvido.
Obrigado pelo comentário, e vamos discutindo, o objetivo de um blog é esse: opiniões!
Grande abraço, e volte sempre!
Marcos
o que quis dizer é que reclamarmos que a justiça não entende de internet é o mesmo que dizer que nós não entendemos de direito… não é uma argumentação válida. É uma falácia para induzir as pessoas a idéias que não são cabíveis.
Por exemplo, você acha que um juiz deve conhecer qualquer outra área técnica tal qual se exige que ele saiba de internet?
Você acha isso possível?
Não é uma exigência para o cargo, mas em épocas como as atuais, é de se esperar que ele tenha pelo menos o conhecimento básico. E nossos juízes, pelo menos na maioria das vezes, demonstram totalmente o contrário.
Mas é claro, isto jamais ocorrerá. Mas eles não podem contar com assessoria especializada? A fim de evitarem-se erros crassos como este, tal assessoria não seria primordial?
Não entendo o porquê do que eu disse não ser cabível, apenas porque não entendemos de direito. Os resultados da possível ação de bloqueio falam por si próprios, e salta aos olhos de qualquer um que tal acontecimento demonstra um total despreparo por parte desse pessoal, ao “dar um tiro de canhão quando uma simples flecha, precisa e rápida, seria o suficiente”.
A argumentação que utilizei é válida no sentido de que não estou discutindo termos jurídicos nem nada semelhante, mas tão somente os resultados em si, resultados estes, caso o bloqueio se concretize, provocados por cidadãos que não estão de forma alguma preparados para lidar com questões, digamos, “digitais”.
Outro dia li, não me lembro bem onde, que certo governo, se não me engano na Europa, tinha em “mente” um projeto de lei que tinha por objetivo obrigar todo e qualquer pedófilo “em liberdade” a se identificar nas comunidades virtuais na quais participasse, e também nos mensageiros instantâneos, como tal. Não era nada muito sotisticado não, era somente um termo que o sujeito deveria assinar, se comprometendo a utilizar tal “nickname”.
Ora, parece que não somos os únicos obrigados a conviver com legisladores que nada entendem do mundo “cibernético”, ou alguém ainda acredita que um criminoso “virtual” irá realmente se identificar como tal? IP’s são na maioria das vezes dinâmicos, os Proxy’s estão aí para ajudarem a “melhorar” a privacidade de quem quer se “esconder”. Isto sem falar em inúmeras outras “ferramentas” disponíveis a quem quer se manter “à salvo” e praticar seus crimes.
Bom, voltando ao assunto do post, gostaria de dizer que meus argumentos têm por objetivo expor minha opinião de que foi feita uma enorme “tempestade em um copo d’água”, sendo que medidas muito mais simples e silenciosas estavam à mão, como ainda estão.
Grande abraço, Norberto!
O ideal seria que para questões técnicas o juiz fosse obrigado a ter um parecer técnico para as decisões que fosse tomar.
Nas questões digitais, nem as pessoas que a usam diariamente sabem exatamente como a internet funciona, tecnicamente falando…
Antes desse bafafá, se você perguntasse se era possível bloquear apenas um blog no WordPress.com sem apagá-lo, quase todo mundo responderia que isto seria possível.
Isto é algo que, em minha opinião, seria primordial. Nenhum profissional é obrigado (pelo menos, não profundamente) a conhecer assuntos fora de seu dia a dia.
Porém, em se tratando de um juiz, seria imprescindível que este contasse com assessoria técnica especializada em relação aos diversos assuntos e causas que tem de julgar que possuem algo que “fuja” ao seu conhecimento.
Isto evitaria erros e injustiças, como estamos tão acostumados a ver, e tornaria os processos todos muito mais rápidos e imparciais.
Até hoje me assusto com aquela malfadada decisão judicial que proibiu o Counter Strike, e com os argumentos utilizados pelo juiz.
Poxa, concordamos em algo agora, né? rsrsrs
Grande abraço, Norberto!
Aqui, infelizmente isto não é verdade. Lembro me do caso em que um juiz viu o resultado do DNA indicando que o indivíduo era pai da criança e mesmo assim não concedeu a paternidade. Ele levou em consideração outras questões, e considerou que a outra pessoa era mais pai do que indicava o exame técnico.
Eu acho que me lembro desse caso que você citou, também. Por aí dá pra termos uma base de como nosso judiciário trabalha, e de como as coisas são “entendidas” por aqui.
Foi por isso que disse que não existe um conhecimento prévio que embase as decisões tomadas em muitos casos, como por exemplo o ocorrido no recente caso do bloqueio ao Wordpress.com.
Você vê, por exemplo, muitas vezes assistimos na televisão, em “horário nobre”, a filmes e outros tipos de conteúdo que são muito mais perniciosos, violentos e perigosos do que um simples jogo como o Counter Strike.
É complicado, mas infelizmente, é o que temos por aqui, por enquanto…rsrs
Abraços!