A Microsoft está ficando boazinha?



Essa é uma daquelas notícias que causa ao mesmo tempo uma certa felicidade e uma grande desconfiança. “Felicidade” (meio limitada, é claro) pois demonstra que a gigante de Redmond aparenta estar com um certo “medo” frente aos recentes avanços do ODF e do software livre em geral. E desconfiança porque, apesar de dizer que vai abrir as especificações de alguns formatos binários de arquivos gerados por suas aplicações, como por exemplo arquivos .doc (arquivos do MS Word) e .xls (arquivos do MS Excel), sugere “leve e quase imperceptivelmente” no próprio documento onde fala a respeito da abertura que a migração será melhor efetuada se os documentos forem migrados para o “Office OpenXML format”, formato “aberto” criado pela própria Microsoft e que não tem sido muito bem aceito pela comunidade internacional (aliás, a própria Microsoft não se entendeu muito bem com ele ainda :) ). Ou seja, a empresa não está sendo imparcial nesta “abertura”, apesar de que temos de admitir que sua atitude, apesar dos apesares, é louvável.

São citados, inclusive, no Blog do Brian Jones (funcionário da Microsoft ligado à questão dos formatos de arquivo), os diversos “benefícios” do OpenXML, e o possível desenvolvimento de uma ferramenta “opensource” para a migração dos formatos acima citados para o OpenXML.

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Pelo que percebi ao ler determinada página no website da empresa falando a respeito deste assunto, eles sugerem, dentre outras possíveis modalidades de “conversão”, a exportação para formatos tais como o .rtf (rich text format) (formato, aliás, de propriedade da própria Microsoft) ou então para os formatos .html ou .xml, estes sim livres de quaisquer “problemas” ligados a patentes e propriedade.

A Microsoft diz ainda o seguinte, dentre outras coisas:

“Microsoft makes its .doc, .xls, .xlsb, and .ppt binary file format specifications available under a royalty-free covenant not to sue to anyone who wishes to implement all or part of these specifications in their products. Implementation includes the ability to use the specification documentation for analysis and forensic reference purposes.”

Traduzindo:

“A Microsoft torna as especificações de seus formatos binários de arquivos .doc, .xls, .xlsb e ppt disponíveis sob uma cláusula livre de royalties para não processar ninguém que deseje implementar todas ou partes destas especificações em seus produtos. A implementação inclui a possibilidade de utilizar a documentação da especificação para análise e finalidades de referências forenses.

De qualquer forma, segundo ainda o blog do Brian Jones, a documentação estava disponível livremente desde 2006, porém, era necessário enviar um e-mail à empresa solicitando tal informação. Pena que ninguém, ou muito pouca gente, tinha conhecimento disso. Você tinha? :) Eu não. O que eles fizeram agora foi apenas eliminar a necessidade do tal e-mail, como pode ser visto neste link, segundo as palavras do Brian Jones:

“The new proposal we (Microsoft) made to Ecma TC45 was that we’d just get rid of the need to send an e-mail and we’d provide it for direct download under the OSP

Traduzindo:

“A nova proposta que nós (Microsoft) fizemos para a Ecma TC foi a de que tínhamos apenas de nos livrarmos da necessidade do envio de um e-mail e teríamos de fornecê-la diretamente para download sob a OSP “.

Bom, particularmante, tal notícia não interfere em nada no atual rumo do “mundo opensource” ou dos formatos abertos de arquivos. Tudo está aí á nossa mão, bastando “pegarmos”, adaptarmos, utilizarmos e ajudarmos no que nos for possível, principalmente. O fato da Microsoft liberar tais especificações e abrir os formatos dos arquivos acima citados não tráz, em minha opinião e pelo menos em relação ao software livre, nenhum benefício ou vantagem, por mínima que seja. Na pior das hipóteses, um suposto usuário do MS Office pode importar todos os seus .doc’s, .xls’s, .ppt’s, etc, através do próprio OpenOffice, e ter então em mãos arquivos realmente abertos e livres, para sempre, no padrão ODF. Aliás, quem precisa dessa parafernália toda quando se tem à mão ferramentas totalmente livres que migram um arquivo .doc para um .odt em questão de segundos? :)

Exportações complicadas, participação no desenvolvimento de um aplicativo que visará converter algo que já pode ser convertido sem maiores problemas para ODF, possibilidade de falhas em tais conversões, etc, e tal: quem precisa disso? O usuário corporativo avançado, talvez. Mas este sempre encontra maneiras de se adaptar a qualquer solução e situação (pelo menos na maioria das vezes), pois possui recursos e pessoal para tanto, ainda mais quando possui o desejo de optar pelo software livre. Para o usuário doméstico ou pequenas/médias empresas, eu sugiro: fuja disto tudo, instale o OpenOffice, converta todos os seus documentos para ODF através dele, e seja feliz. :)

Agora, esta é uma notícia bem “gostosa” de se ler, e que nos faz dar risada, pois nos faz imaginar a que ponto chega uma empresa quando percebe que algo ameaça seu monopólio. Mais engraçado ainda é o fato da tal documentação já estar “disponível” desde 2006 e pouquíssima gente saber disso (posso estar errado neste ponto, mas nunca havia ouvido falar disto).

Resta saber, também, na prática, como será feita tal abertura, bem como seus moldes e regras. A liberação das especificações se dará em 15 de fevereiro de 2008.

Mas vamos ficando por aqui, felizes com nosso vastíssimo e livre mundo “opensource”. :)

Fonte: BrOffice.org

Informações adicionais

Link para download do OpenOffice/BrOffice:

http://broffice.org/download

Informações a respeito no site da Microsoft, datadas de 16/10/2007:

http://support.microsoft.com/kb/840817/en-us

Microsoft Open Specification Promise (Promessa de especificação aberta Microsoft):

http://www.microsoft.com/interop/osp/default.mspx

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  2. Alguns comentários sobre o OOXML, a Microsoft, a ABNT e o ODF
  3. A IBM está abandonando o MS Office aos poucos – Quem tem medo do OOXML?
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