Irregularidades na aquisição de licenças do Office pela Receita Federal



Não deixam de ser curiosas (e inesperadas) as notícias deste tipo, principalmente quando envolvendo órgãos do calibre da Receita Federal e quando vemos tantos outros setores do governo brasileiro caminhando em sentido contrário, como por exemplo o SERPRO, o TRE e mais recentemente o governo do estado do Paraná. Ou será que sempre esperamos demais?

Esquecendo por enquanto as denúncias de picaretagem irregularidades que permeiam todo o caso (como por exemplo o fato de que seriam adquiridas licenças a mais do que o número total de estações de trabalho que a Receita possui), é fato que o Ministério Público Federal em São Paulo recomendou que a Receita Federal suspendesse a compra de, “apenas”, 44.087 licenças do MS Office 2007, com um custo total para nossos bolsos os cofres publicos de R$ 40.898.480,00. Isto mesmo: quarenta milhões, oitocentos e noventa e oito mil e quatrocentos e oitenta reais.

É interessante notarmos também que o Ministério Público “recomenda” a suspensão da compra afirmando que a mesma fere princípios do governo, o qual atualmente incentiva a utilização de ferramentas livres. Além disto, tal compra certamente representa um gasto desnecessário, uma vez que ferramentas como o BrOffice/OpenOffice, por exemplo, estão à disposição gratuitamente.

Aliás, assim como Ministério Público, eu também não consigo entender o motivo da preferência pelo Office em detrimento do OpenOffice, por exemplo. Na pior das hipóteses, poderiam ser adquiridas licenças do Office somente para aqueles casos onde a utilização de uma ferramenta livre não suprisse todas as necessidades. A não ser, é claro, que existam realmente “interesses ocultos” nisto tudo, e os bolsos de alguém (ou muita gente) estejam sendo engordados através de tal compra (o que não justifica, apenas “explica”).

Mas prefiro aqui ser até um pouco ingênuo, e analisar a coisa toda apenas no que diz respeito às questões técnicas e ideológicas/filosóficas (além da redução de custos, liberdade, respeito para conosco, contribuintes sempre feitos de trouxas lesados, etc). A Receita Federal marca um gol contra ao tentar tomar uma atitude assim, principalmente se analisadas a importância e a relevância da mesma e o quão “críticas” são as informações por ela obtidas e tratadas.

E, independentemente de qual motivo esteja por trás de tal “opção”, é de se esperar (pelo menos assim esperamos nós, pobres contribuintes) que um mínimo de bom senso, honestidade e respeito tome conta de algumas mentes por aí.

Fonte: IDG Now

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3 Responses to “Irregularidades na aquisição de licenças do Office pela Receita Federal”

  1. Dá vontade de matar, chorar, meter z zorra num bando de picareta desses. Com esse dinheiro dá pra fazer um monte de coisas urgentes e mais importantes do que a diferença que há entre Office 2007 e Openoffice. Rapaz, dá pra fazer coisa pra caralho com 40 mi!!!!

    É foda né Marcos?!

  2. Se é, Tiago.

    Não dá pra entender uma coisa dessas. Quer dizer, até dá, né…rs Mas que realmente é F*&¨%, isso é. Mas esse tipo de coisa não me surpreende mais.

    O que nos resta é esperar que a compra realmente seja barrada, e que atitudes assim sejam sempre coibidas.

    Grande abraço! :)

  3. [...] enorme folga no treinamento e na contratação de pessoal capacitado em soluções abertas (aliás, ainda bem que a compra de licenças desnecessárias do Office pela Receita Federal foi barrada ). O que sobra, então, vai da própria instituição dar um fim melhor a tal dinheiro ao invés [...]

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