Olá, pessoal.
Gostaria de avisar que a freqüência dos posts vai cair bastante nos próximos dias, devido às festas de final de ano, pois vou tirar alguns dias de férias.
Aproveito para desejar a todos um excelente ano novo!

Conheci há alguns dias atrás um aplicativo/serviço que, sob o sugestivo nome de “Goodbye Microsoft“, se propõe a efetuar uma instalação em modo gráfico da distribuição Linux Debian, executando durante o processo todos os redimensionamentos e criações de partições necessários para a instalação da distribuição, bastando ao interessado apenas possuir uma conexão à internet e o Windows XP instalado na máquina. É uma instalação basicamente “online”, que vai instalar o Debian no computador do interessado mantendo sua atual instalação do Windows XP.
Ao se efetuar o download do arquivo, o mesmo surpreende pelo tamanho extremamente reduzido (cerca de 170 Kb). Mas ocorre que ele não é o instalador, mas tão somente um pequeno executável que irá efetuar o download de alguns arquivos necessários ao início da instalação e, possivelmente, a partir daí, criar um setor de boot adicional na MBR da máquina, fazendo com que no próximo boot o usuário tenha a opção de iniciar o computador pela tal “opção instaladora” do Debian, a qual irá então efetuar o download dos arquivos necessários, dar início e guiar o usuário durante o processo de instalação e configuração da distro. E tudo em modo gráfico!

É claro que fiz algumas conjecturas acima, baseadas em pesquisas que fiz a respeito e no teste inicial que efetuei, rodando o pequeno executável até um certo momento. Pretendo em breve rodar a instalação até o fim, e postar aqui os resultados. Quanto à ferramenta, além da mesma executar a instalação em modo gráfico, pode-se escolher dentre mais de 20 idiomas, e entre eles está o português. A versão do Debian instalada através da ferramenta é a Etch, e o instalador utilizado é o NSIS (Nullsoft Scriptable Install System), opensource, para nossa alegria.
A ferramenta possui também dois modos de instalação: um para usuários inexperientes e outro para usuários avançados, e neste último pode-se optar pelos modos “gráfico” e “texto”. No modo avançado, inclusive, é possível até mesmo escolher-se o repositório desejado, entre “unstable” e “stable”. Além disso, existe o modo de instalação e o de reparação, caso já exista alguma instalação do Debian no computador. Confesso que mal posso esperar para ver como o danado se comporta até o fim.
E temos de admitir que a idéia é excelente, pelo menos para aqueles que possuem banda larga. E um dos pontos mais interessante e importante é que são unificados dois procedimentos distintos e complicados para muitas pessoas: o download da imagem ISO e a instalação da distro, isto sem falar na questão do particionamento, que também é “coberta” pelo Goodbye Microsoft. Esta é uma idéia simplesmente genial, e que merece ser “exportada” para outras “paragens”! Sonhar não faz mal a ninguém, principalmente quando vemos o software livre em geral caminhando a passos largos pelos quatro cantos do mundo, inclusive aqui no nosso Brasil. Prometo postar em breve um tutorial a respeito da ferramenta, e minhas impressões sobre a instalação que vou efetuar através da mesma. Mas se enquanto isso você desejar se aventurar, não se acanhe. Só não se esqueça de efetuar um backup completo de tudo o que é importante em seu computador, pois acidentes acontecem, como todos sabemos.
Aliás, gostaria de dizer que gostei bastante do nome do projeto/ferramenta, e isto me faz lembrar que a cada dia que passa fica mais fácil e indolor dar adeus ao SO das janelas.
Informações adicionais
Site oficial do Goodbye Microsoft:
Link direto para download do instalador:
http://goodbye-microsoft.com/pub/debian.exe
Site oficial da distribuição Debian:
Após falar sobre a aprovação do projeto de lei 203/2007 pelos deputados do Paraná, que estabelece a preferência pelo ODF em todos os órgãos do governo paranaense, e finalmente sobre a sanção da lei pelo governador Roberto Requião, nada melhor do que apresentar os fatos concretos.
Como adoro este tipo de notícia e atitude, andei fazendo algumas pesquisas no site do Departamento de Imprensa Oficial do Estado do Paraná e encontrei a página onde se pode visualizar a referida publicação da lei, no Diário Oficial do Paraná. Aqui, basta efetuar o download da referida página em formato PDF para ter-se acesso ao texto completo.
A lei diz que todos os “órgãos e entidades da Administração Pública direta, indireta, autárquica e fundacional do Estado do Paraná, bem como os órgãos autônomos e empresas sob o controle estatal adotarão, preferencialmente, formatos abertos de arquivos para criação, armazenamento e disponibilização digital de documentos”. A lei ainda cita as vantagens proporcionadas pela utilização de formatos abertos, como interoperabilidade, inexistência de restrições ou pagamento de royalties, maior liberdade e ausência de gastos relativos à propriedade intelectual.
Ponto para o ODF e ponto para o software livre, e tal placar, positivo, se reverte sempre em benefícios para muitos. Ganha o estado do Paraná que se vê livre de licenças restritivas e agora tem a certeza (ou pelo menos a possibilidade) de manter suas informações à salvo de qualquer tipo de escravidão limitação imposta pelo uso de ferramentas e padrões proprietários, e assim pode realmente fazer melhor uso do dinheiro público, utilizando ferramentas abertas e não gastando o dinheiro dos contribuintes com o pagamento de licenças de softwares proprietários que, na maior parte dos casos, são perfeitamente substituíveis por soluções livres.
Aliás, não só o melhor uso do dinheiro público entra em jogo. Mas também temos de lembrar que um governo e seus órgãos devem primar pela continuidade de suas documentações/informações, mantendo-as legíveis e acessíveis independentemente da ferramenta disponível no momento. Esta é a melhor prática, a mais viável, sensata e sustentável a curto, médio e longo prazo. E tal situação somente é possível quando se faz uso de formatos abertos, quando não se fica preso a determinado formato fechado que somente permite a abertura da documentação gerada através do software X.
Parece que o Brasil como um todo, incluindo-se aí parlamentares, organizações privadas e públicas e até mesmo o usuário doméstico, está começando a entender as inúmeras vantagens dos formatos abertos e do software livre, e deixando de lado todos aqueles velhos medos que por muito tempo relegaram o software livre a um círculo super restrito de usuários. Isto ocasionará, a médio ou longo prazo, quem sabe, um acesso mais fácil à informação, e como a informação vem antes da utilização da ferramenta em si, é de se esperar que novas opções serão feitas, as ferramentas serão aprimoradas e novos caminhos poderão surgir. O futuro reserva muito mais ao software livre. Só temos de esperar um pouco mais, fazendo a nossa parte, é claro.
Bom, deixemos de divagar um pouco, e vamos retomar a linha.
Gostaria de finalizar postando um trecho da referida lei que cita claramente o ODF, em seu Art. 3º:
“Os entes, mencionados no art. 1º desta lei, deverão estar aptos ao recebimento, publicação, visualização e preservação de documentos digitais em formato aberto, de acordo com a norma ISO/IEC 26.300 (Open Document Format – ODF)”.
Excelente decisão. Espero que mais governos e setores destes optem também por softwares e fomatos livres. Exemplos não faltam. Exemplos recentes, bem como inúmeros casos de sucesso. Que estes sirvam de incentivo.
Informações adicionais
Site do Departamento de Imprensa Oficial do Estado do Paraná
OBS: basta clicar sobre o link “Download da página” para efetuar o download do arquivo PDF
Link direto para download da página contendo a lei 15.742, em PDF
O governador do Paraná, Roberto Requião, sancionou a lei que estabelece o ODF como formato preferencial para arquivos no estado.
Dentre os motivos levados em consideração para a aprovação, o governo do Paraná cita a maior acessibilidade obtida (resultado fatalmente atingido quando se opta por formatos e soluções abertas) e a independência de ferramentas proprietárias, fator nocivo a qualquer organização quando se pensa, por exemplo, nos quesitos “acessibilidade” e “continuidade”.
Espero que atitudes como esta sejam a regra daqui em diante, e não a exceção. Todos merecemos. Parabéns mais uma vez ao governo do Paraná!
Fonte: BrOffice.org
Não deixam de ser curiosas (e inesperadas) as notícias deste tipo, principalmente quando envolvendo órgãos do calibre da Receita Federal e quando vemos tantos outros setores do governo brasileiro caminhando em sentido contrário, como por exemplo o SERPRO, o TRE e mais recentemente o governo do estado do Paraná. Ou será que sempre esperamos demais?
Esquecendo por enquanto as denúncias de picaretagem irregularidades que permeiam todo o caso (como por exemplo o fato de que seriam adquiridas licenças a mais do que o número total de estações de trabalho que a Receita possui), é fato que o Ministério Público Federal em São Paulo recomendou que a Receita Federal suspendesse a compra de, “apenas”, 44.087 licenças do MS Office 2007, com um custo total para nossos bolsos os cofres publicos de R$ 40.898.480,00. Isto mesmo: quarenta milhões, oitocentos e noventa e oito mil e quatrocentos e oitenta reais.
É interessante notarmos também que o Ministério Público “recomenda” a suspensão da compra afirmando que a mesma fere princípios do governo, o qual atualmente incentiva a utilização de ferramentas livres. Além disto, tal compra certamente representa um gasto desnecessário, uma vez que ferramentas como o BrOffice/OpenOffice, por exemplo, estão à disposição gratuitamente.
Aliás, assim como Ministério Público, eu também não consigo entender o motivo da preferência pelo Office em detrimento do OpenOffice, por exemplo. Na pior das hipóteses, poderiam ser adquiridas licenças do Office somente para aqueles casos onde a utilização de uma ferramenta livre não suprisse todas as necessidades. A não ser, é claro, que existam realmente “interesses ocultos” nisto tudo, e os bolsos de alguém (ou muita gente) estejam sendo engordados através de tal compra (o que não justifica, apenas “explica”).
Mas prefiro aqui ser até um pouco ingênuo, e analisar a coisa toda apenas no que diz respeito às questões técnicas e ideológicas/filosóficas (além da redução de custos, liberdade, respeito para conosco, contribuintes sempre feitos de trouxas lesados, etc). A Receita Federal marca um gol contra ao tentar tomar uma atitude assim, principalmente se analisadas a importância e a relevância da mesma e o quão “críticas” são as informações por ela obtidas e tratadas.
E, independentemente de qual motivo esteja por trás de tal “opção”, é de se esperar (pelo menos assim esperamos nós, pobres contribuintes) que um mínimo de bom senso, honestidade e respeito tome conta de algumas mentes por aí.
Fonte: IDG Now